ALERTA NACIONAL

Disque 100 revela aumento alarmante de abuso infantil no Brasil

Disque 100 revela aumento alarmante de abuso infantil no Brasil

Mais de 32,7 mil casos de violação sexual entre janeiro e abril de 2026. Crescimento de quase 50% em um ano.

O Brasil enfrenta um alarmante aumento nos casos de violação sexual contra crianças e adolescentes, com o Disque 100 registrando um crescimento de quase 50% nos primeiros quatro meses de 2026. Os dados, divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania nesta segunda-feira, 18/05/2026, revelam que a maioria esmagadora desses crimes ocorre no próprio lar da vítima ou de familiares, expondo a profunda vulnerabilidade do público infanto-juvenil e a urgência de uma mobilização nacional.

Entre janeiro e abril de 2026, o serviço de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania contabilizou mais de 32,7 mil casos de violação sexual, um crescimento expressivo de 49,48% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, um dado ainda mais chocante: cerca de 76,4% dos crimes — mais de 25 mil ocorrências — foram perpetrados dentro da residência da criança, do suspeito ou de parentes próximos. Além das violações comprovadas, o Disque 100 recebeu mais de 116 mil denúncias e identificou outras 716 mil violações de direitos humanos envolvendo crianças e adolescentes nesse período.

Para Correia Júnior, docente de Direito da Estácio e ex-delegado titular da Delegacia Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente (DCA), esses números vão além do ato de violência em si. "Eles são o resultado de fatores familiares, sociais e estruturais que aumentam a vulnerabilidade das vítimas, tornando-as alvos fáceis", analisa o especialista, reforçando o caráter complexo e multifacetado do problema.

A legislação brasileira é clara ao definir violência sexual como qualquer ato que viole a dignidade sexual de crianças e adolescentes, abrangendo abuso sexual e estupro de vulnerável. Já a exploração sexual envolve a obtenção de lucro ou vantagem por meio do uso sexual desse público. Correia Júnior aponta que o ambiente digital tem se tornado um vetor amplificador para ambos os crimes. "A internet não criou a violência sexual, mas ampliou o alcance, a velocidade e a dificuldade de controle desses crimes, facilitando o aliciamento e a circulação de material ilegal", ressalta ele.

Este cenário reforça a importância vital do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Instituído pela Lei Federal nº 9.970/00, a data é um lembrete doloroso da tragédia de Araceli Crespo. Em 18 de maio de 1973, aos 8 anos, ela foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES). Seu caso se tornou um símbolo da luta pelos direitos da infância no Brasil e impulsionou o fortalecimento das políticas públicas de proteção infantil no país.

Correia Júnior alerta para sinais comportamentais que podem indicar que uma criança ou adolescente está sofrendo violência. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo excessivo, agressividade, regressões comportamentais e alterações repentinas no uso de dispositivos eletrônicos são indicadores cruciais. "Muitas vítimas não conseguem ou não se sentem seguras para denunciar, cabendo à sociedade estar atenta", pontua.

Diante de qualquer suspeita, a orientação é buscar os canais oficiais de denúncia sem hesitação. O Disque 100, o Conselho Tutelar ou as delegacias especializadas são fundamentais para interromper a violência e garantir a proteção necessária à vítima. "A denúncia é fundamental para interromper a violência e garantir proteção à vítima. O mais importante é agir de forma responsável, acolhedora e sem expor a criança ou adolescente a mais traumas", conclui o especialista, sublinhando a responsabilidade coletiva na proteção da infância brasileira.

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