SEGURANÇA DIGITAL INFANTIL
Discord admite falha em monitoramento após morte de adolescente
Plataforma reconheceu demora de duas horas para interromper transmissão fatal e ANPD determina suspensão imediata de lives no Brasil.
O Discord admitiu que seu sistema de proteção falhou ao permitir que uma transmissão ao vivo, na qual uma menina de 13 anos foi vitimada, permanecesse ativa por cerca de duas horas. A falha foi detalhada em um relatório oficial apresentado pela empresa ao Ministério da Justiça, conforme apuração obtida pela GloboNews.
Em resposta à gravidade do ocorrido, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo da rede social em território brasileiro. A medida preventiva, inédita no Brasil e fundamentada no ECA Digital, exige que a plataforma comprove a implementação de ferramentas eficazes para a proteção de crianças e adolescentes em até três dias úteis. A restrição atinge especificamente a ferramenta de lives, mantendo o funcionamento dos demais recursos da plataforma.
Segundo os registros apresentados pelo Discord, a transmissão teve início às 2h20 da manhã do dia 22 de julho. O primeiro alerta sobre risco iminente de morte ou lesão corporal foi emitido pelo sistema às 3h50, com a derrubada do conteúdo ocorrendo apenas às 4h15. A empresa justificou que o canal não apresentava indicadores de atividade violadora em um primeiro momento e que os responsáveis pela live utilizaram comunicações para “mascarar” a real intenção.
A plataforma defende que seu modelo automatizado de intervenção exige uma pontuação mínima de risco para o bloqueio instantâneo e que uma mudança rigorosa nos critérios poderia gerar falsos positivos. No entanto, integrantes da ANPD apontam que o caso não é isolado e que o monitoramento do Discord revelou uma reiteração de situações em que menores são induzidos à automutilação e ao suicídio no Mato Grosso do Sul e em outras regiões.
O Discord classificou a suspensão da ANPD como “prematura” e afirmou que a caracterização feita pela agência não reflete os investimentos da empresa em segurança. Enquanto a companhia sustenta que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas, o órgão regulador reforça que a medida permanecerá vigente até que a segurança dos usuários seja plenamente assegurada.
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