PALADAR INFANTIL
Dieta da mãe modela paladar do bebê, diz pesquisa
Estudo inédito com cenoura e couve mostra que a exposição pré-natal reduz a aversão a vegetais em crianças.
Nesta quinta-feira, 14/05/2026, uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pela professora Nadja Reissland da Universidade de Durham, revelou que a dieta materna durante a gestação desempenha um papel crucial na formação do paladar dos bebês. A pesquisa, publicada na renomada revista Developmental Psychology, aponta que a exposição a determinados sabores ainda no útero pode reduzir significativamente a rejeição a vegetais após o nascimento, oferecendo uma nova perspectiva para pais que buscam promover hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida de seus filhos.
A constatação oferece uma nova perspectiva para a complexa tarefa de formar hábitos alimentares saudáveis. Atualmente, pais buscam inúmeras estratégias para incentivar o consumo de legumes e verduras, desde misturá-los em receitas a negociações à mesa. Agora, a ciência aponta que a chave pode estar no período gestacional, com o contato inicial aos sabores ocorrendo ainda no útero materno.
No decorrer do estudo, mulheres grávidas participaram de um experimento controlado, recebendo cápsulas com pó de cenoura ou couve. As primeiras análises ocorreram ainda durante a gestação, utilizando exames de ultrassom que permitiram aos cientistas observar as reações faciais dos fetos. Essa observação precoce foi crucial para entender a resposta inicial dos bebês aos diferentes sabores.
Após o nascimento, os testes foram cuidadosamente repetidos. Observações adicionais foram realizadas quando os bebês completaram cerca de três semanas de vida e, em uma fase posterior, aos três anos de idade. As equipes se concentraram em avaliar as expressões faciais das crianças e suas reações ao cheiro dos alimentos, fornecendo dados valiosos sobre a persistência das preferências.
Os resultados foram claros: o comportamento das crianças variou conforme sua exposição pré-natal. Bebês que tiveram contato com a cenoura durante a gestação reagiram de forma mais positiva ao cheiro do vegetal após o nascimento e demonstraram menos expressões negativas. De modo similar, as crianças expostas à couve aceitaram melhor o aroma da hortaliça ao longo do período de acompanhamento, evidenciando uma memória gustativa precoce.
Curiosamente, os pesquisadores também notaram uma tendência de rejeição a alimentos aos quais as crianças não foram expostas antes do nascimento. Por exemplo, bebês que tiveram contato com o cheiro da couve durante a gestação mostraram maior resistência ao cheiro da cenoura, e o padrão se inverteu para aqueles expostos à cenoura, sugerindo uma especificidade na formação dessas preferências.
A professora Nadja Reissland, da Universidade de Durham e principal autora do estudo, enfatizou a relevância das descobertas. "O que observamos ao longo do tempo é que as crianças continuam a preferir os vegetais aos quais foram expostas enquanto estavam no útero", afirmou Reissland. Ela acrescenta que "a exposição a um sabor específico no final da gravidez pode resultar em uma memória gustativa ou olfativa duradoura nas crianças, potencialmente moldando suas preferências alimentares anos após o nascimento", ressaltando o impacto de longo prazo dessas experiências.
Para garantir o rigor científico e evitar qualquer interferência de outros alimentos na dieta das participantes, a equipe de pesquisadores optou por utilizar cápsulas contendo os vegetais em pó. Essa metodologia assegurou um controle preciso sobre a exposição dos fetos aos sabores.
O estudo, que reuniu pesquisadores de prestigiadas universidades do Reino Unido, França e Holanda, foi publicado na renomada revista científica Developmental Psychology. Embora os resultados sejam promissores e abram um novo campo de investigação, os autores ponderam que ainda são necessários estudos mais amplos para confirmar plenamente os efeitos observados, solidificando as conclusões.
Apesar da amostra relativamente pequena de mães e filhos, o que exige cautela para conclusões definitivas, a professora Reissland destacou o valor do trabalho. Ela acredita que os resultados já oferecem uma compreensão significativamente aprimorada de como as experiências sensoriais vivenciadas durante a gravidez podem, de fato, moldar os comportamentos alimentares futuros das crianças, abrindo caminho para novas abordagens na nutrição infantil.
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