SAÚDE PÚBLICA
Dia Mundial do Linfoma alerta para a detecção precoce contra doença que afeta mais de 14 mil brasileiros anualmente
Com 14 mil novos casos por ano, a doença é a 8ª mais comum no Brasil. Detecção precoce é vital para o tratamento.
Para intensificar a luta contra o câncer que afeta milhares de brasileiros anualmente, o Dia Mundial de Conscientização do Linfoma, celebrado nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, assume um papel crucial ao alertar a população e profissionais de saúde sobre a importância vital da detecção precoce. Essa mobilização global busca salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de pacientes, destacando os sintomas silenciosos e os caminhos para um diagnóstico eficaz.
Linfomas: O Inimigo Silencioso do Sistema Imunológico
O linfoma é um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células essenciais do sistema imunológico que defendem o corpo contra infecções. A doença se manifesta principalmente nos linfonodos, popularmente conhecidos como gânglios linfáticos, mas pode surgir em qualquer parte do corpo onde o tecido linfático esteja presente. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima mais de 14 mil novos casos a cada ano. A gravidade é sublinhada pelos dados de 2020 do Ministério da Saúde, que registraram 4.357 óbitos por linfoma não-Hodgkin e 455 por linfoma de Hodgkin. Esses números colocam os linfomas como a oitava forma mais comum de câncer no país, com uma incidência de cerca de 6 pessoas a cada 100 mil habitantes, e uma leve predominância entre homens.
Hodgkin ou Não-Hodgkin: Entenda as Diferenças Cruciais
O sistema linfático, uma complexa rede de vasos, gânglios e tecidos, é a linha de frente do nosso sistema imunológico. Quando um câncer se desenvolve nesse sistema, ele é classificado como linfoma de Hodgkin ou linfoma não-Hodgkin, categorias que se distinguem pela forma como a doença se dissemina. O linfoma de Hodgkin progride de maneira ordenada, espalhando-se de um grupo de linfonodos para outro através dos vasos linfáticos. Em contraste, o linfoma não-Hodgkin se espalha de forma imprevisível e desordenada, com mais de 20 subtipos identificados pelo Inca.
O médico hematologista Ricardo Bigni, chefe da Seção de Hematologia do Hospital do Câncer I, do Inca, no Rio de Janeiro, detalha a complexidade: "Existem mais de 40 subtipos de linfomas. Quanto ao tipo de célula de origem nos linfomas de não-Hodgkin, temos os linfomas B, os T e os não-B e não-T, células NK. Considerando os mais comuns, temos os linfomas não-Hodgkin difuso de células B, que correspondem a 30%, e os linfomas foliculares, com cerca de 22% de todos os casos, seguidos por linfomas de células do manto, de células da zona marginal, linfomas de Hodgkin, entre outros."
Sinais de Alerta: Como Reconhecer os Sintomas do Linfoma
A detecção precoce depende do reconhecimento dos sinais que o corpo emite. Os principais sintomas do linfoma não-Hodgkin incluem o aumento persistente e indolor dos gânglios no pescoço, axilas ou virilha, acompanhado por suor noturno excessivo, febre inexplicável, coceira intensa na pele, cansaço extremo e uma perda de peso superior a 10% do peso corporal sem motivo aparente.
Para o linfoma de Hodgkin, os sintomas variam conforme a localização da doença. Nódulos inchados e indolores são comuns no pescoço, axila e virilha. Se o câncer se manifesta na região do tórax, podem surgir tosse persistente, falta de ar e dor torácica. Na pelve ou no abdômen, o paciente pode experimentar desconforto e distensão abdominal.
O Dr. Bigni enfatiza que, enquanto gânglios aumentados podem indicar diversas condições, como infecções, aqueles afetados por linfoma geralmente não causam dor. "O aspecto dor não é comum nos linfomas. É mais comum ter o aumento daquela estrutura indolor. Se o aumento daquele gânglio se estende por um período de semanas, é menos provável que seja uma infecção. Então o médico entra na rotina de investigação, que inclui os linfomas", explica o especialista, reiterando que apenas profissionais de saúde podem correlacionar sintomas com a possibilidade de linfomas.
Fatores de Risco e a Importância da Prevenção
Embora a maioria dos casos de linfoma não tenha uma causa identificável, alguns fatores de risco são conhecidos. A exposição a radiação e a certos produtos químicos, como benzeno e alguns pesticidas, pode aumentar o risco, especialmente em ambientes de trabalho. O Dr. Bigni alerta: "Pessoas expostas no ambiente de trabalho estão em maior risco, o que deve ser monitorado. Protocolos de segurança para mitigar essa exposição devem ser seguidos." Indivíduos com sistema imunológico comprometido, seja por infecção pelos vírus Epstein-Barr ou HIV, também enfrentam um risco elevado.
Diferentemente de outros cânceres, não existe uma forma direta de prevenir o desenvolvimento de linfomas. A estratégia mais eficaz reside na detecção e diagnóstico precoce. "Nos linfomas, a melhor forma de atuar é na detecção e diagnóstico precoce, que pode permitir o tratamento ainda em estágios menos avançados da doença, com alguns tipos de linfomas considerados curáveis com as terapias disponíveis", afirma o hematologista.
Caminho para o Diagnóstico e Tratamento Eficaz
O diagnóstico preciso de um linfoma exige uma série de exames detalhados, cruciais para determinar o tipo exato da doença e suas características, orientando assim o tratamento mais eficaz. A biópsia cirúrgica de um linfonodo aumentado é obrigatória, com o material sendo submetido a exame histopatológico e imunohistoquímico, conforme ressalta o Dr. Bigni. Complementam o processo a punção lombar, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
O tratamento é individualizado, variando conforme o tipo, localização e estágio do linfoma, além das condições de saúde do paciente. A quimioterapia é um pilar, muitas vezes combinada com radioterapia e imunoterapia, que estimula o próprio sistema imunológico a combater as células cancerosas. A poliquimioterapia, uma combinação de medicamentos orais ou intravenosos, também é empregada. "Para a definição da opção terapêutica mais adequada, também devem ser levadas em consideração as condições físicas do paciente e se apresenta comorbidades, tais como doenças cardiovasculares ou pulmonares que possam comprometer a tolerância clínica ao tratamento oncológico", conclui o Dr. Bigni, reforçando a abordagem holística no cuidado do paciente.
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