MERCADO EM EXPANSÃO
Dia da Pizza: Brasil expande setor, mas perda de renda restringe consumo
Embora o setor registre recorde de novas pizzarias no Brasil em 2026, pesquisa mostra que o custo da iguaria compromete o orçamento das famílias brasileiras.
O Dia da Pizza, celebrado nesta sexta-feira, 10/07/2026, traz à tona um cenário contraditório na economia nacional. Enquanto o Brasil registra um recorde na abertura de novas pizzarias, com uma média de 13 estabelecimentos inaugurados por dia, o poder de compra da população para consumir o produto apresenta um declínio preocupante.
A análise é sustentada pelo Índice Mozarela, elaborado pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec). O estudo aponta que, na capital paulista, a capacidade de compra das famílias caiu de 131 pizzas por mês em 2021 para 120 em 2025. O indicador, inspirado no Índice Big Mac, cruza a renda média familiar com os preços praticados no mercado local.
Segundo Rodolfo Ribeiro, pesquisador envolvido no levantamento, a desvalorização do orçamento doméstico é impulsionada pela alta de insumos básicos, como o queijo muçarela, cujo preço acumulou um aumento de quase 40% entre 2021 e 2025, sem que os rendimentos acompanhassem o ritmo inflacionário.
A desigualdade social reflete diretamente no consumo. Bairros de maior renda, como Alto de Pinheiros, mantêm um poder de compra elevado, permitindo a diversificação do cardápio. Em contraste, áreas como Anhanguera, Pedreira e Vila Jacuí sentem o peso do custo de vida, onde a concorrência se dá estritamente por preços baixos, limitando a margem de atuação dos empresários.
Apesar da retração no consumo das famílias, o setor de pizzarias demonstra resiliência. Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) indicam que o Brasil encerrou o ano de 2025 com 40.332 pizzarias ativas. O período foi marcado pelo menor índice de fechamentos na última década, com uma queda de 43,8% em relação a 2024.
O movimento de expansão segue aquecido em 2026. Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, observa que a abertura de 1.990 novas unidades entre janeiro e maio deste ano demonstra a maturidade e a confiança dos empreendedores. O crescimento, que antes era centralizado no Sudeste, agora avança de forma expressiva para o Norte e Nordeste do País.
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