MISTÉRIO DA AVIAÇÃO

Destroços de avião da Pan Am são localizados 74 anos após acidente

Destroços do avião Clipper Endeavour encontrados no fundo do mar
Imagem fornecida pela Pan Am Historical Foundation mostra o avião Clipper Endeavour

Equipes de busca encontraram a fuselagem do Clipper Endeavour no fundo do oceano. A descoberta ocorre décadas após a tragédia que redefiniu os padrões de segurança aérea.

Os destroços de uma aeronave da Pan Am, desaparecida há 74 anos, foram finalmente localizados por exploradores no fundo do mar. A descoberta, anunciada na terça-feira (21), encerra um dos capítulos mais duradouros de incerteza na história da aviação civil, trazendo respostas esperadas por famílias e pesquisadores desde o acidente que vitimou 52 pessoas após uma decolagem em Porto Rico.

O Clipper Endeavour, um Douglas DC-4, sofreu uma falha de potência logo após decolar com destino a Nova York em 11 de abril de 1952. Embora 17 pessoas tenham sobrevivido ao impacto inicial, a aeronave afundou rapidamente, dificultando o resgate e o acesso aos equipamentos de salvatagem da época. O caso serviu como um alerta urgente para a indústria, resultando em mudanças fundamentais nos procedimentos de segurança, como os protocolos de uso de coletes e os briefings de emergência que são padrão em voos comerciais atualmente.

A localização da aeronave só foi possível após uma investigação minuciosa conduzida por Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation. O ponto de virada na busca ocorreu em 2019, quando uma etiqueta de bagagem pertencente ao voo foi encontrada na costa da Flórida. A partir desse indício, Matthews cruzou registros da Administração Federal de Aviação (FAA) e mapas elaborados por pilotos da Força Aérea que testemunharam a queda na década de 1950.

Neste ano, a utilização de tecnologia de ponta, incluindo drones submarinos autônomos e sonares de alta resolução operados pela Deep Sea Vision, permitiu identificar a fuselagem a 610 metros de profundidade. A varredura de uma área de 34 quilômetros quadrados confirmou a posição dos restos mortais do avião, que se partiu em dois durante a submersão.

Para o especialista John Cox, a descoberta vai além do valor histórico. Além de encerrar um longo luto, o sucesso da operação reforça que o avanço tecnológico em exploração oceânica pode servir como um norte para buscas complexas em outros desastres aéreos, como o voo MH370. O achado é um marco que conecta o passado da aviação às modernas capacidades de exploração submarina.

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