TRABALHO DESIGUAL

Desemprego de mulheres é 43,1% maior, aponta IBGE

Desemprego de mulheres é 43,1% maior, aponta IBGE

Dados do 1º trimestre de 2026 do IBGE destacam desafio para a autonomia feminina.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, que a desigualdade no mercado de trabalho brasileiro persiste com força. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), referentes ao primeiro trimestre de 2026, mostram que a taxa de desocupação entre as mulheres foi 43,1% superior à dos homens, um cenário que impacta diretamente a autonomia econômica e a dignidade de milhares de cidadãs no País.

Enquanto a média nacional de desocupação se manteve em 6,1% no período, o IBGE detalhou que a taxa para os homens ficou em 5,1%. Em contrapartida, as mulheres enfrentaram uma taxa significativamente mais alta, alcançando 7,3%. Estes números sublinham uma disparidade que, embora apresente uma tendência de redução ao longo dos anos, ainda representa um obstáculo substancial para a inserção feminina plena no mercado de trabalho.

William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, destacou que, apesar de a diferença atual ser grande, houve um período ainda mais crítico. No primeiro trimestre de 2012, a taxa de desocupação feminina foi 69,4% maior que a masculina, indicando um avanço, ainda que lento, na redução dessa lacuna. A menor disparidade foi observada no segundo trimestre de 2020, em meio à pandemia de covid-19, quando a distância caiu para 27,0%, um reflexo das dinâmicas atípicas daquele período.

A análise do IBGE também aponta para outras clivagens sociais no acesso ao emprego. A população branca registrou uma taxa de desocupação de 4,9%, número que contrasta drasticamente com os 7,6% observados entre pessoas pretas e os 6,8% entre pardas. Essa realidade expõe as barreiras adicionais enfrentadas por grupos étnico-raciais específicos na busca por oportunidades.

A escolaridade emerge como outro fator crucial. Indivíduos com ensino médio incompleto registraram uma taxa de desocupação de 10,8%, quase o triplo dos 3,7% verificados entre aqueles com nível superior completo. Este dado reforça a importância da educação como um caminho para a estabilidade profissional e a redução das vulnerabilidades sociais.

A persistência dessas desigualdades no mercado de trabalho não é apenas uma estatística; ela se traduz em desafios diários para famílias, na diminuição do poder de compra e na fragilização de projetos de vida. Compreender e agir sobre esses dados é fundamental para construir uma sociedade mais equitativa, onde a dignidade e as oportunidades sejam acessíveis a todos.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário