NOVO MODELO PRISIONAL
Derrite propõe modelo prisional de El Salvador para plano de segurança de Flávio Bolsonaro
Ex-secretário de Segurança Pública e pré-candidato a senador defende replicar o sistema Cecot, de Nayib Bukele, para isolar líderes do crime organizado e eliminar direitos como visitas íntimas e uso de celular. Ele afirmou à CNN que o plano de governo do senador Flávio Bolsonaro contemplará medidas inspiradas no país centro-americano, que reduziu drasticamente seus índices de homicídios.
O ex-secretário de segurança pública e pré-candidato a senador Guilherme Derrite (PP) declarou nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, que o sistema prisional de El Salvador serve de modelo para o plano de governo que o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está elaborando. "Lá, nós vimos que eles eram o país mais violento do mundo e se tornaram o país mais seguro do mundo. Era o país com o número de homicídios por 100 mil habitantes mais alto do mundo e hoje é um dos menores. Quando acontece um homicídio, são crimes passionais, não são crimes violentos como acontece, infelizmente, aqui no Brasil, 40 mil por ano", explicou Derrite à CNN. A principal referência apontada por Derrite para a ação de El Salvador no combate à criminalidade são seus presídios de segurança máxima, conhecidos como Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo). Esse modelo, projetado pelo presidente Nayib Bukele, tem capacidade para abrigar até 40 mil detentos por unidade. "Por que não replicar esse modelo aqui, de isolamento de lideranças do crime organizado, de membros de organizações criminosas, sem direito à visita íntima, sem direito ao auxílio-reclusão, sem direito a nenhum tipo de aparelho celular, sem nenhum tipo de contato que não seja monitorado?", questionou o ex-secretário. "Então, eu tenho certeza que no plano de governo do senador Flávio Bolsonaro vai ter muita coisa disso. Além disso, eu acho que outros exemplos internacionais são bem-vindos", completou. O chamado "método Bukele" tornou-se uma das bandeiras sobre segurança pública de alguns políticos ligados a Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro (PL) também defendeu a aplicação dessas ações em um vídeo enviado para o lançamento da pré-candidatura de Derrite. Nayib Bukele, no poder desde 2019, foi eleito com a promessa de eliminar a violência das gangues e rejuvenescer a economia do país. Em 2020, ele legalizou o uso de força letal pela polícia e pelo Exército contra integrantes de gangues. Desde 2022, El Salvador está sob um estado de exceção, aprovado pela Assembleia Legislativa a pedido de Bukele, com o argumento de combater a crescente taxa de homicídios. Após o decreto, o governo inaugurou o Cecot e ganhou atenção mundial quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fechou um acordo para enviar presos acusados de integrarem a gangue venezuelana Tren de Aragua. Embora a taxa de homicídios em El Salvador tenha caído para 1,3 caso por 100 mil habitantes em 2025, segundo o ministro da Justiça e Segurança do país, organizações da sociedade civil contestam esses números. Elas alegam que a repressão contra o crime se expandiu contra a população em geral e, especialmente, contra jornalistas.
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