GOVERNO TRAVA PAUTA

Deputados criticam cálculo político do governo Lula ao travar pauta da Câmara

Foto de reunião de líderes na Câmara dos Deputados com Hugo Motta.
Reunião de líderes na Câmara dos Deputados.

Decisão de manter urgência de projeto sobre jornada 6x1 é vista como estratégia para pressionar o Senado e isolar oposição. Presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta negociar com o Planalto.

Lideranças da Câmara interpretam a decisão do governo Lula de manter a urgência do projeto de lei que trata do fim da jornada de trabalho 6x1 como um cálculo político. A medida, tomada mesmo após a aprovação de uma PEC sobre o tema na Casa, visa assegurar a defesa da proposta pelo Planalto e pressionar o Senado a votar a matéria.

A manutenção da urgência constitucional impede o plenário da Câmara de votar outros projetos de lei, com exceção de decretos legislativos, requerimentos de urgência e propostas de emenda à Constituição (PECs). A leitura entre líderes é que o governo Lula tem pouco a perder, pois a única votação de interesse do Planalto seria um projeto do líder do governo, Paulo Pimenta (PT-RS), destinado a conter a alta dos combustíveis.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), revelou ter conversado com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante reunião de líderes na terça-feira, 9 de junho de 2026, para tentar destravar a pauta. Motta relatou que o ministro prometeu dialogar com Lula sobre o assunto e dar um retorno em breve.

Nos bastidores, Motta avalia que não faz sentido manter a urgência do projeto de lei, uma vez que o tema já foi debatido e aprovado pelos deputados por meio de uma PEC. O impasse, segundo o presidente da Câmara, reside na resistência do Senado em votar a proposta, o que demonstra um bloqueio na articulação política.

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