INVESTIGAÇÃO DE DESVIO

Deputado Josimar Maranhãozinho é alvo de operação da PF por suspeita de desvio de emendas

Polícia Federal realizando busca em residência
Polícia Federal faz buscas em operação que apura desvio de emendas

Ação da Polícia Federal apura possível corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao 'orçamento secreto'. Decisão é do Ministro Flávio Dino, do STF.

O deputado federal Josimar Maranhãozinho, nome político de Josimar Cunha Rodrigues, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal na quinta-feira, 25/06/2026. A investigação apura a suspeita de desvio de emendas parlamentares, recursos conhecidos como "orçamento secreto". A decisão de conduzir a ação partiu do Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a gravidade das alegações e a importância do caso para a fiscalização dos recursos públicos.

Filiado ao PL, o parlamentar, que atualmente está licenciado do mandato na Câmara dos Deputados, representa o Maranhão na Casa e preside o partido no estado. Natural de Várzea Alegre, no Ceará, Josimar Maranhãozinho construiu sua trajetória política no município maranhense de Maranhãozinho, que lhe deu o sobrenome eleitoral. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, ele administrou a cidade como prefeito por dois mandatos, entre 2005 e 2012, e atuou como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Maranhão.

Sua carreira legislativa inclui a eleição como deputado estadual em 2014, com 99.252 votos, seguida pela chegada à Câmara dos Deputados em 2018, com 195.768 votos. Em 2022, foi reeleito deputado federal, obtendo 158.360 votos. A influência política de sua família também se estende, com sua esposa, Detinha, sendo deputada federal pelo Maranhão e ex-prefeita de Centro do Guilherme.

A reportagem buscou contato com a defesa do deputado para obter um posicionamento, mas não obteve retorno até a última atualização.

Histórico de Investigações

A ação desta quinta-feira (25) marca a terceira vez que Josimar Maranhãozinho se torna alvo de operações da Polícia Federal. Em 2020, a Operação Descalabro mirou suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinadas à saúde no Maranhão, com indícios de peculato e lavagem de dinheiro. Na ocasião, o deputado negou as irregularidades, atribuindo a origem dos valores a atividades empresariais e agropecuárias.

A operação mais recente, denominada Afluente, investiga o desvio de emendas do "orçamento secreto", apurando crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, em conexão com uma organização criminosa. A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão em Goiás, Maranhão e Distrito Federal. Segundo a corporação, os valores teriam sido movimentados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e, posteriormente, direcionados a empresas supostamente ligadas ao grupo investigado. Interlocutores policiais indicam que um dos alvos da operação estaria ligado ao próprio deputado, que figura como sócio de uma dessas empresas. Em caso de confirmação, os envolvidos podem responder por corrupção passiva, peculato, corrupção ativa, lavagem de capitais e organização criminosa.

Adicionalmente, em 2024, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Josimar Maranhãozinho e outros parlamentares do PL por suspeitas de corrupção passiva e organização criminosa, em um caso relacionado a recursos destinados ao município de São José de Ribamar. Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou o deputado e mais duas pessoas por suspeita de desviar R$ 1,6 milhão de emendas parlamentares. A PGR apontou que Maranhãozinho coordenava a destinação das emendas, monitorava liberações, controlava planilhas de pagamento e cobrava propina. As defesas negaram participação nos crimes.

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