SIMPLES NACIONAL

Deputado Jorge Goetten defende aumento do teto do Simples Nacional para R$ 8 milhões

Deputados e representantes discutem o limite de faturamento do Microempreendedor Individual.
Novo enquadramento do Microempreendedor Individual discutido em debate na Câmara.

Relator do projeto de lei complementar nº 108 de 21, deputado Jorge Goetten, busca negociação com o governo para elevar o limite de faturamento das PMEs e MEIs.

O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), relator do projeto de lei complementar nº 108 de 21, anunciou que seguirá em negociação com o governo federal para a atualização dos limites de faturamento das seis faixas do Simples Nacional. A decisão busca reajustar os valores defasados e mitigar os impactos na dignidade e sustentabilidade das micro e pequenas empresas (MPEs) e Microempreendedores Individuais (MEIs).

Goetten revelou que o governo sinalizou positivamente apenas para a elevação do limite de faturamento do MEI, de R$ 81 mil para R$ 130 mil. Contudo, o parlamentar defende um aumento mais expressivo para o teto máximo do Simples Nacional, propondo que o limite salte de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões. Segundo o relator, essa mudança é crucial para compensar a desatualização ocorrida em 2012 e a ausência de reajustes desde 2016, garantindo que as empresas menores não sejam prejudicadas pela inflação e pelo crescimento econômico.

Em debate realizado em Belo Horizonte (MG) no programa Câmara pelo Brasil, Goetten também propôs a redução do prazo máximo para inadimplência de um MEI ser excluído do sistema, de 12 para 2 meses. Ele destacou que a inadimplência atual dos MEIs atinge cerca de R$ 3 bilhões, um valor expressivo que afeta a saúde financeira do sistema.

Representantes de entidades empresariais participaram da discussão. Nadim Donato, presidente da Fecomércio Minas Gerais, indicou que a aceitação de um teto máximo de R$ 6 milhões para o Simples Nacional seria uma alternativa para facilitar as negociações governamentais. Essa flexibilidade demonstra a busca por um consenso que beneficie o setor produtivo.

O deputado Domingos Sávio (PL-MG) ressaltou a importância de o governo apresentar uma proposta própria, o que, segundo ele, conferiria maior legitimidade ao processo legislativo e evitaria questionamentos de inconstitucionalidade relacionados à renúncia fiscal. Ele apontou que a iniciativa governamental permitiria ao parlamento aprimorar o projeto sem ferir a autonomia do Poder Executivo.

Contratação de Trabalhadores e Impacto na Previdência

Valmir da Silva, presidente da Federaminas, levantou preocupações sobre a dificuldade na contratação de trabalhadores pelas pequenas empresas. Ele atribuiu parte desse desafio à oferta limitada de mão de obra qualificada e questionou se programas sociais, sem mecanismos de reinserção efetiva no mercado de trabalho, poderiam estar contribuindo para essa escassez.

Carlos Calazans, superintendente do Ministério do Trabalho em Minas Gerais, abordou o impacto do crescimento do número de MEIs nas contas da Previdência Social. Ele explicou que essa expansão ocorre em um contexto de desafios previdenciários crescentes, como o envelhecimento da população e o aumento de trabalhadores autônomos em plataformas digitais, evidenciando a necessidade de um planejamento sustentável para o sistema.

Esta matéria foi originalmente publicada pela Agência Câmara em 23 de junho de 2026 e adaptada para o Poder360.

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