DECISÃO DE PESO

Departamento de Estado classifica CV e PCC como terroristas

Comparativo de operações militares americanas na Venezuela e no México.
Do lado esquerdo, a operação militar americana em Caracas, ocorrida em 3 de janeiro de 2026. Do lado direito, a operação em Chihuahua, no México, que acontece desde 2025. — Foto: Reuters

As facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) recebem o mesmo status de grupos como cartéis mexicanos e gangues venezuelanas, abrindo precedentes para ações de Washington.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos decidiu classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como "terroristas globais especialmente designados" e "organizações terroristas estrangeiras". A decisão, anunciada neste sábado, 30/05/2026, equipara os grupos criminosos do Brasil a organizações que já foram alvo de duras intervenções de Washington na América Latina, como os cartéis mexicanos Sinaloa e Jalisco Nova Geração (CJNG), além da gangue Tren de Aragua na Venezuela. O histórico recente demonstra que essa classificação, imposta pela Casa Branca, pode antecipar o uso de força militar ou de inteligência na região. Na Venezuela, essa estratégia culminou em uma invasão armada que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. No México, a mesma designação abriu caminho para uma guerra secreta conduzida pela Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA). **O precedente venezuelano** Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, agentes da Força Delta dos Estados Unidos realizaram uma operação em Caracas, na Venezuela, capturando o então presidente Nicolás Maduro. Paralelamente, caças norte-americanos bombardearam bases na capital venezuelana. A justificativa para a ação militar em Caracas foi a classificação do regime bolivariano como uma ameaça terrorista transnacional. Anteriormente, o Departamento de Justiça dos EUA já havia indiciado Maduro por "narcoterrorismo", alegando que seu governo operava em conjunto com cartéis de drogas e grupos armados – acusações que Maduro nega. A rotulação como terrorismo permitiu à Casa Branca deslegitimar as instituições venezuelanas internacionalmente e autorizar o uso da força. Nicolás Maduro foi então levado a um centro de detenção federal em Nova York, onde aguarda julgamento por conspiração e tráfico de armas de guerra. "Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador", declarou Donald Trump em pronunciamento em Mar-a-Lago, na Flórida, após a captura. **O precedente mexicano** No México, a classificação dos cartéis de Sinaloa, Jalisco e a Nova Família Michoacana como organizações terroristas estrangeiras serviu de base para uma ofensiva que combinou pressão diplomática e incursões de inteligência. Após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o "El Mencho", líder do Cartel Jalisco Nova Geração, Donald Trump exigiu publicamente que o México "intensificasse esforços" contra o crime organizado. A captura e morte do traficante foram executadas por forças especiais mexicanas, mas o governo de Cláudia Sheinbaum confirmou que a operação dependeu de informações estratégicas fornecidas pelos Estados Unidos. A imprensa norte-americana também divulgou que Washington iniciou uma intervenção discreta. Uma reportagem da CNN Internacional revelou que a CIA tem realizado uma guerra secreta em solo mexicano desde 2025, com o objetivo de desmantelar redes financeiras e de logística dos cartéis, utilizando táticas semelhantes às missões antiterrorismo no Oriente Médio.

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