DECISÃO JUDICIAL
Defesa de Henrique Vorcaro pede ao STF a revogação de sua prisão preventiva
Advogados de pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sustentam falta de acesso a relatório da PF e negam tentativa de compra de silêncio. Pedido foi protocolado nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026.
A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro e dono do Banco Master Daniel Vorcaro, solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, a revogação de sua prisão preventiva. Como alternativa, os advogados pedem a substituição da medida por cautelares menos gravosas.
Os advogados argumentam que a manutenção da prisão foi baseada em um relatório da Polícia Federal (PF) que foi apresentado ao colegiado sem que a defesa tivesse tido acesso prévio ao seu conteúdo. Segundo os defensores, trechos desse documento foram utilizados como fundamentação para a prisão preventiva durante o julgamento que confirmou a medida, cerceando o direito de ampla defesa.
Em relação às acusações de que pessoas ligadas a Henrique Vorcaro teriam tentado comprar o silêncio de Joana Mourão, irmã de Luiz Fellipe Mourão, conhecido como Sicário, os advogados negam veementemente. Eles pediram que Joana Mourão seja ouvida para esclarecer a situação.
Um relatório da Polícia Federal, divulgado na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, aponta conversas encontradas em celulares de investigados. Em uma delas, Joana Mourão afirma possuir documentos que poderiam comprometer Henrique Vorcaro e sua família. A PF sustenta que Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo, apontado como "braço direito" de Henrique Vorcaro, teria intermediado pagamentos para evitar a colaboração de Joana com as apurações. Os investigadores destacam que Joana relatou dificuldades financeiras e cobrou pessoas próximas a Henrique Vorcaro, afirmando estar em situação de desespero.
A defesa, contudo, afirma que nunca houve tentativa de compra de silêncio. Segundo os advogados, os contatos partiram da própria Joana Mourão, que buscava receber valores que considerava devidos à família de Sicário. Eles alegam que Joana teria assediado Thiago Assumpção, sócio e advogado de Henrique Vorcaro, cobrando valores relacionados a contratos firmados antes da morte de Sicário. Os repasses mencionados pela investigação, segundo a defesa, possuem origem em contratos ligados a um empreendimento imobiliário em Campo Grande, Rio de Janeiro, e que os pagamentos realizados foram devidamente formalizados e registrados. As conversas interpretadas pela PF como tentativa de obstrução da Justiça seriam, na verdade, cobranças financeiras decorrentes dessas relações comerciais.
Além da revogação da prisão, os advogados pedem a oitiva de Henrique Vorcaro e de Joana Mourão. Solicitam, ainda, a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os documentos apresentados pela defesa, buscando garantir a correta elucidação dos fatos e a preservação da dignidade do cidadão.
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