DECISÃO AMERICANA EM XEQUE

Dario Durigan rebate tarifas dos EUA e defende racionalidade em decisão sobre PIX

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em entrevista ao g1. Foto: Reprodução/TV Globo

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, critica possível tarifa adicional sobre produtos brasileiros e afirma que o PIX não prejudica empresas dos Estados Unidos. Medida ainda não é definitiva.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta sexta-feira, 03/07/2026, sua defesa pela racionalidade na iminente decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras. Em entrevista exclusiva, Durigan argumentou que a proposta americana carece de embasamento técnico e pode afetar negativamente as relações comerciais bilaterais, com especial atenção ao sistema de pagamentos PIX. A declaração ocorre após o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) conduzir uma investigação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, concluindo que práticas brasileiras 'oneram ou restringem' o comércio com os norte-americanos. Essa avaliação, se confirmada, pode impor custos adicionais a exportações brasileiras, impactando a economia do país e a confiança no mercado internacional. A dignidade do comércio justo e a integridade das operações financeiras brasileiras estão em jogo, demandando uma análise ponderada dos argumentos técnicos.

O USTR apontou preocupações em diversas áreas, incluindo comércio digital e serviços de pagamento, regulação de redes sociais, tarifas preferenciais, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e proteção da propriedade intelectual. Especificamente sobre o PIX, o relatório sugere que o Banco Central (BC), ao atuar como regulador e operador do sistema, favoreceria a infraestrutura brasileira em detrimento de sistemas de pagamento americanos. Durigan refutou veementemente essa alegação, classificando-a como sem sentido. 'O PIX é um meio de pagamento, é uma infraestrutura que o Brasil desenvolveu a várias mãos, há muito tempo, e que é oferecida universalmente. Qualquer empresa, qualquer pessoa que atue no Brasil tem acesso ao PIX', declarou o ministro, ressaltando o caráter inclusivo e acessível do sistema.

Ainda que a investigação formal tenha sido concluída, a imposição da nova taxa não é automática. A legislação americana prevê a conclusão de procedimentos formais e consultas públicas antes que quaisquer medidas entrem em vigor. Representantes brasileiros e americanos têm realizado reuniões de trabalho desde a divulgação do relatório. Em um encontro virtual recente, o governo brasileiro apresentou um plano de ação, reforçando a legitimidade de suas práticas e sua não prejudicialidade ao comércio com os Estados Unidos. Durigan também abordou a questão do desmatamento, criticando a desatualização do relatório americano. 'Eles dizem: "o desmatamento no Brasil é alto". Não. Está desatualizada essa informação. Quando passava a boiada e o desmatamento era alto, era no governo anterior. Agora, nós estamos com mínima de desmatamento na Amazônia, na Mata Atlântica', pontuou, contrastando a situação atual com períodos anteriores e defendendo a robustez das políticas ambientais vigentes.

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