MOBILIDADE E SEGURANÇA

Crise nas vias do Rio: o desafio de conviver com o aumento das motos

Motociclistas transitando em faixa exclusiva na Autoestrada Lagoa-Barra.
Motofaixa na Autoestrada Lagoa-Barra, em São Conrado.

Aumento de mortes e acidentes força debate sobre regulação de aplicativos, infraestrutura e falhas no transporte coletivo.

A explosão do número de motocicletas no trânsito do Rio transformou a dinâmica da cidade, impulsionando a economia baseada em aplicativos e evidenciando a fragilidade do sistema de transporte público. O impacto dessa ocupação das vias, que se consolidou como uma alternativa para quem busca rapidez em um cenário de precariedade, manifesta-se em uma média diária de uma morte de motociclista registrada pela Secretaria Estadual de Saúde.

Entre janeiro e junho deste ano, o cenário foi marcado por 257 óbitos e milhares de feridos, números que revelam o custo humano por trás da ocupação das ruas. Para sobreviventes como um condutor de 24 anos, que teve a perna amputada em um acidente há seis meses, a realidade pós-trauma impõe desafios severos para a reintegração ao mercado de trabalho e para a subsistência de suas famílias.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentados pelo pesquisador Erivelton Guedes, indicam que o custo social é profundo: para cada óbito, estimam-se 112 atendimentos hospitalares, sendo que um terço das vítimas permanece com sequelas graves, sobrecarregando a Previdência Social.

Diante do cenário, o Congresso e a Câmara Municipal do Rio buscam formas de regulamentar o trabalho por aplicativos, discutindo propostas que incluem desde remuneração mínima até maior transparência das plataformas. A necessidade de fiscalização foi reforçada após tragédias como a morte da publicitária Alexia Nunes e de Rafael Pereira, este último vítima de um acidente na Linha Amarela enquanto utilizava um serviço de transporte por aplicativo.

A professora Marina Baltar, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende que as empresas de tecnologia devem atuar preventivamente, compartilhando dados com o poder público para monitorar pontos críticos e velocidades. A Prefeitura do Rio, por sua vez, aposta na expansão das motofaixas — com meta de 75 quilômetros até o fim do ano —, embora especialistas alertem que a infraestrutura, isolada, não substitui a necessidade de fiscalização rigorosa e melhorias estruturais no transporte público, principal vetor que empurra a população para o uso da motocicleta.

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