SEGURANÇA E PODER

Coronel da reserva, apontado como amigo de operador do PCC, chefiou segurança na SSP

Arte gráfica com reprodução de conversas no WhatsApp e retrato de homem.
Arte gráfica feita com reprodução de conversa no WhatsApp sobre a qual há o retrato do rosto de homem branco, de cabelo curto sem barba- Metrópoles

Luiz Carlos Pereira Martins atuou na assessoria militar da SSP sob gestão de Alexandre de Moraes; investigação da PF aponta proximidade com suspeitos de lavar dinheiro para o PCC.

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins ocupou o posto de chefe da assessoria militar da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) enquanto mantinha laços próximos com investigados por movimentações financeiras para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A atuação do oficial na cúpula da segurança paulista coloca sob nova lente as conexões entre a estrutura de proteção do Estado e indivíduos suspeitos de operar para o crime organizado.

Conforme registros no Diário Oficial do Estado, Pereira Martins desempenhou a função entre outubro de 2014 e dezembro de 2016, período que abrangeu as gestões do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de seu sucessor na pasta, Mágino Alves Barbosa.

A Assessoria Policial Militar possui papel estratégico na estrutura da SSP, sendo responsável tanto pela segurança física das instalações do prédio quanto pela proteção direta do secretário, além de servir como um canal de aconselhamento em temas relacionados à Polícia Militar (PMESP). Embora o coronel tenha sido designado para o cargo ainda na gestão de Fernando Grella, em 2012, sua permanência atravessou mandatos sensíveis da administração pública.

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) traz à tona um relatório que identifica Pereira Martins como "grande amigo" dos operadores Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins. Os dois foram presos em 21 de julho durante a Operação Janus, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), sob suspeita de gerir uma estrutura clandestina de movimentação financeira voltada a membros do PCC.

A análise da PF, que se debruçou sobre mensagens e documentos extraídos de celulares, sugere que o oficial exercia influência para abrir portas na corporação em benefício dos investigados. Em uma das conversas datadas até novembro de 2023, o coronel chegou a convidar Cléber para um encontro com outros oficiais de alta patente. Até a conclusão do relatório, em novembro de 2024, não foram confirmadas provas de pagamentos indevidos ao coronel, que não figura entre os acusados pela operação.

Em nota, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM), da qual o coronel é diretor, negou qualquer conduta ilícita, argumentando que a amizade remonta a um período em que os suspeitos não eram alvo de investigações. A Secretaria da Segurança Pública informou que o coronel está na inatividade desde abril de 2019 e reforçou que não compactua com desvios de conduta, ressaltando que apurará os fatos com o devido rigor legal.

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