DESGASTE NA BASE BOLSONARISTA

Crise envolvendo senador Flávio Bolsonaro abala relação com evangélicos, mercado e agro

Foto do senador Flávio Bolsonaro no Senado Federal.
Senador Flávio Bolsonaro em evento no Senado Federal.

A polêmica com o banqueiro Daniel Vorcaro afeta lideranças religiosas, empresários e investidores, levantando dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do senador e abrindo espaço para alternativas dentro do Partido Liberal.

A crise desencadeada em torno do senador Flávio Bolsonaro e do banqueiro Daniel Vorcaro gerou significativo desgaste em setores estratégicos da base bolsonarista. A repercussão negativa atingiu lideranças evangélicas, empresários, investidores e representantes do agronegócio. O episódio também levou à saída do marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, da pré-campanha presidencial do senador.

Eduardo Fischer, publicitário com experiência na campanha presidencial de Alvaro Dias em 2018, foi o escolhido para substituir Lopes no comando da comunicação da pré-campanha.

Aliados do senador admitem que o caso interrompeu uma tentativa de aproximação com setores do mercado financeiro e do empresariado. A crise ganhou contornos mais graves após a divulgação de áudios nos quais o senador cobra recursos de Vorcaro, somada a revelações sobre a proximidade entre ambos.

Entre os evangélicos, o impacto foi sentido de forma imediata. O assunto dominou conversas em grupos de líderes religiosos alinhados ao bolsonarismo, incluindo figuras como os pastores Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes. Robson Rodovalho classificou o episódio como um "balde de água fria" na pré-campanha de Flávio, considerando o fato e a subsequente explicação como "muito negativos". Silas Malafaia sinalizou que o apoio poderá ser revisto caso novas revelações venham à tona, afirmando que "se tiver mais coisa, será difícil apoiar".

Nos bastidores religiosos, ressurgiu entre os evangélicos a possibilidade de uma candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como uma alternativa dentro do Partido Liberal (PL).

No mercado financeiro, o caso gerou repercussão durante a Brazil Week, em Nova York, e intensificou as dúvidas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio como principal nome da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em resposta, a campanha intensificou agendas com empresários e investidores em São Paulo na tentativa de conter o desgaste.

A crise também alimentou especulações sobre outros nomes da direita, com destaque para os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, considerados por parcelas do mercado e do agronegócio como alternativas mais estáveis.

Apesar do abalo, dirigentes do PL avaliam que ainda é prematuro determinar os impactos definitivos da crise. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, defendeu que Flávio mantém uma força política "mais sólida do que nunca", embora a legenda acompanhe de perto os próximos desdobramentos para medir os efeitos do caso.

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