ALERTA SANITÁRIO POTENCIAL

Crescimento de 60% nos casos de ciguatera no RN exige atenção máxima da saúde pública

Imagem ilustrativa de peixes comercializados em mercado público no RN.
O avanço dos casos de ciguatera no RN coloca órgãos de saúde em alerta máximo para o monitoramento de espécies marinhas.

Dados da Sesap revelam que o consumo doméstico de peixes como Bicuda lidera as ocorrências em 2026

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) do Rio Grande do Norte consolidou um alerta urgente sobre o avanço expressivo da ciguatera no estado, conforme dados divulgados nesta segunda-feira, 13/07/2026. A decisão de intensificar o monitoramento baseia-se no fato de que, apenas até 11 de junho de 2026, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) computou 141 casos da doença, superando em 60,2% o volume total de ocorrências de todo o ano de 2025.

A ciguatera, uma intoxicação alimentar grave, impacta diretamente a qualidade de vida da população. A enfermidade, causada por uma neurotoxina invisível e resistente ao calor, não altera o sabor ou a aparência do pescado, tornando o consumo um risco silencioso. Entre os sintomas, as vítimas relatam desde quadros gastrointestinais agudos até manifestações neurológicas persistentes, como dormência, coceira intensa e a desconfortável inversão térmica, que podem perdurar por anos.

O perfil epidemiológico demonstra que a maioria das notificações (59,3%) ocorre entre mulheres, com maior incidência na faixa etária produtiva de 20 a 59 anos. Surpreendentemente, o ambiente doméstico é onde 64% das intoxicações ocorrem, evidenciando a necessidade de maior cautela na aquisição e procedência do pescado.

Geograficamente, a capital Natal centraliza 52,21% dos casos, seguida por municípios como Touros e Ceará-Mirim. O mapeamento da Sesap aponta que a Bicuda ou Barracuda é o principal vetor da toxina no estado, responsável por quase metade das ocorrências registradas, seguida pela Arabaiana e o Dourado.

Desde 2022, o estado contabiliza 259 notificações e dois óbitos. A Sesap reforça que, como a toxina resiste a métodos convencionais como cozimento, congelamento ou salga, o controle rígido da cadeia de comercialização e a conscientização sobre as espécies de maior risco são as únicas formas eficazes de proteção para a sociedade potiguar.

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