NOVAS TERAPIAS LIBERADAS
Conselho Federal de Medicina autoriza novas terapias focais para câncer de próstata
Decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) traz HIFU e crioablação para pacientes selecionados, prometendo preservar funções sexuais e urinárias.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) decidiu, nesta quinta-feira, 28/05/2026, autorizar duas novas técnicas de tratamento para o câncer de próstata: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. A medida visa oferecer alternativas menos invasivas para pacientes com a doença localizada e de risco intermediário favorável, buscando reduzir o impacto sobre a qualidade de vida, como a incontinência urinária e a disfunção erétil. A decisão é um avanço significativo para homens diagnosticados com a doença, oferecendo esperança de cura com menos sequelas.
As novas terapias, conhecidas como abordagens focais, tratam unicamente a região afetada pelo tumor, sem a necessidade de intervenção em toda a glândula prostática. Essa precisão técnica permite preservar tecidos saudáveis e, consequentemente, minimizar os efeitos colaterais que frequentemente acompanham os tratamentos tradicionais, como a retirada completa da próstata (prostatectomia) ou a radioterapia. O impacto direto na dignidade dos pacientes se traduz na manutenção de suas funções essenciais e na melhora do bem-estar geral.
A autorização do CFM especifica que HIFU e crioablação são indicadas para pacientes com tumores confinados a uma única área da próstata e com risco intermediário favorável. Casos mais agressivos da doença não se enquadram nestas novas diretrizes. Há também a possibilidade de aplicação em situações específicas para pacientes que já passaram por radioterapia ou em alguns casos de tumores de baixo risco, seguindo critérios rigorosos.

A mudança reflete a evolução contínua na medicina oncológica, afastando-se de abordagens únicas e adotando estratégias personalizadas. Até recentemente, a prostatectomia e a radioterapia eram as opções predominantes, mas os avanços em exames de imagem e o aprofundamento no conhecimento sobre o comportamento dos tumores possibilitaram a identificação de pacientes que se beneficiariam de tratamentos mais direcionados. Essa evolução é crucial para garantir que o tratamento seja o mais eficaz possível, ao mesmo tempo em que se preserva a qualidade de vida.
Stenio Zequi, urologista e líder do Centro de Referência em Tumores Urológicos do A.C.Camargo Cancer Center, explica que o câncer de próstata não é uma doença homogênea; existem tumores com comportamentos distintos. Enquanto alguns podem ser monitorados, outros requerem intervenções mais contundentes. As terapias focais entram como uma opção promissora para um grupo específico nesse espectro.
No HIFU, ondas de ultrassom de alta frequência elevam a temperatura na área tumoral, destruindo as células cancerígenas. A crioablação, por outro lado, utiliza o congelamento extremo para eliminar o tecido doente. Ambos os procedimentos são guiados por imagem e realizados com margem de segurança, focando exclusivamente na lesão.
A promessa de menos sequelas é o grande diferencial. Enquanto tratamentos radicais podem levar a incontinência urinária e disfunção erétil, as terapias focais apresentam taxas significativamente menores desses efeitos adversos. O procedimento, geralmente realizado sob anestesia leve, é menos invasivo e permite rápida recuperação.
É fundamental ressaltar que a adoção dessas novas terapias não substitui os tratamentos convencionais para todos os pacientes. A seleção criteriosa é essencial, pois os procedimentos são autorizados apenas para casos específicos, como tumores únicos e localizados de risco intermediário favorável, e para algumas situações em pacientes previamente tratados ou com tumores de baixo risco específicos. A análise detalhada por médicos especialistas é indispensável para determinar a indicação correta.
O acompanhamento médico rigoroso após a terapia focal é obrigatório. Pacientes deverão realizar exames de PSA a cada três meses no primeiro ano, semestralmente nos dois anos seguintes e anualmente depois. Exames de imagem e biópsias de acompanhamento também serão necessários para confirmar a eficácia do tratamento. O Ministério da Saúde foi consultado sobre a possibilidade de inclusão desses tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
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