BIG TECHS EM PAUTA

Conselho de Comunicação Social decide analisar decretos sobre big techs

Sede do Congresso Nacional, brasão.
O Conselho de Comunicaçāo Social do Congresso analisará decretos federais sobre big techs.

Grupos temáticos foram criados para analisar diretrizes de plataformas digitais no Brasil. Decisão levanta debate sobre regulação versus controle de conteúdo.

O Conselho de Comunicaçāo Social do Congresso decidiu, nesta terça-feira, 02/06/2026, criar dois novos grupos temáticos. A medida visa analisar as diretrizes de atuação das plataformas digitais, as chamadas big techs, no país. A análise se debruçará sobre a edição de dois decretos do governo federal que impactam diretamente a operação dessas empresas.

As novas normas, publicadas em 02/06/2026, ampliam a responsabilidade das plataformas na remoção de conteúdos considerados criminosos e exigem ações preventivas contra fraudes e violência. Especialistas em direito digital, no entanto, alertam que o texto contém conceitos vagos, abrindo brechas para questionamentos e potenciais interpretações que afetam a liberdade de expressão e a atuação das empresas.

Entre as mudanças propostas, os decretos definem diretrizes para o enfrentamento da violência contra mulheres no ambiente digital. Patrícia Blanco, presidente do Conselho, propôs a criação de uma comissão específica para tratar das plataformas e a realização de uma audiência pública em setembro. A decisão busca trazer mais clareza e segurança jurídica para o ambiente online, resguardando a dignidade dos usuários.

José Eduardo Cardozo, um dos comentaristas presentes no debate da CNN Brasil, defende que os decretos representam um exercício legítimo de regulação. "É evidente que é sobre regulação", afirmou Cardozo, ressaltando que, em um Estado de Direito, todos os direitos possuem limites e cabe ao Executivo regulamentar a lei com base na Constituição. Ele argumenta que a liberdade de expressão não é ilimitada e que condutas ilícitas, fora ou dentro da internet, não podem ser toleradas. Para Cardozo, a regulamentação cria parâmetros necessários, e conceitos indeterminados são comuns no universo jurídico, garantindo a fiel execução da lei sem configurar censura, que ele define como a retirada arbitrária de manifestações lícitas.

Em contraponto, Vinicius Poit, também comentarista da CNN Brasil, apresentou uma visão divergente, sustentando que os decretos extrapolam a função regulamentadora e criam situações novas sem respaldo legal, caracterizando-se como controle de conteúdo e um abuso do poder do Executivo. Na avaliação de Poit, os decretos são inconstitucionais por criarem novas competências, como a atuação da Agência Nacional de Proteção de Dados como autoridade geral de conteúdo online, função não prevista em lei. Ele alerta que o debate sobre a regulação das big techs deve ser conduzido pelo Legislativo, com ampla discussão pública, e não imposto por decreto, para evitar a concentração de poder e o uso autoritário de instrumentos de controle, conforme previsto na Constituição.

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