GESTÃO PÚBLICA IRREGULAR

Congresso Nacional acumula atraso histórico no julgamento das contas da República

Edifício do Congresso Nacional em Brasília sob céu azul.
Fachada do Congresso Nacional, local onde tramitam as contas do Executivo.

O Legislativo não profere parecer final sobre as contas presidenciais desde 2002. A morosidade afeta a transparência fiscal e a fiscalização do Executivo.

O Congresso Nacional falha em seu dever constitucional de julgar anualmente as contas da República, acumulando pendências que remontam a gestões anteriores, conforme verificado nesta segunda-feira, 20/07/2026. A última deliberação definitiva ocorreu em relação ao ano de 2002, quando foram reprovadas as contas do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A Constituição estabelece que o Legislativo deve analisar a conduta financeira do Executivo após receber o parecer prévio do TCU. Esse rito é fundamental para a saúde democrática, pois garante que o uso do dinheiro público seja validado pelos representantes do povo. Sem essa etapa, o ciclo de transparência permanece incompleto.

A tramitação depende da CMO e da posterior deliberação pela Mesa do Congresso Nacional. A ausência de julgamento constante cria um vácuo na prestação de contas, onde sucessivos governos — Lula, Dilma, Dilma/Temer, Temer e Bolsonaro — tiveram seus exercícios financeiros arquivados em estados de espera, sem que o mérito fosse votado pelos parlamentares.

Sobre o exercício de 2025, o TCU aprovou as contas com ressalvas em junho de 2026. A Corte de Contas identificou oito achados, incluindo falhas na garantia da União aos Correios em uma operação de R$ 12 bilhões. Embora o governo tenha cumprido a meta fiscal, a análise aponta que o esforço foi insuficiente para estabilizar a dívida pública, evidenciando riscos que o Congresso Nacional ainda precisa debater.

Em nota, o Senado Federal afirmou que, embora a Resolução nº 1, de 2006-CN preveja um calendário, a tramitação depende do agendamento político. A Câmara dos Deputados foi procurada para comentar a inércia do Legislativo, mas não houve retorno até o momento.

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