PODERES EM TENSÃO

Congresso desafia Lula e anula veto à Lei da Dosimetria

Deputados e senadores em plenário durante votação sobre a Lei da Dosimetria.
Votação no Congresso sobre o veto do presidente Lula que trata da dosimetria. — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Decisão que reduz penas de condenados reacende debate sobre justiça. STF pode ser acionado.

O Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Lula à Lei da Dosimetria, uma medida que nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, gera intensa repercussão e tensão entre os poderes. A decisão legislativa, que reduz as penas para condenados em episódios como a trama golpista, afeta diretamente a percepção de justiça e a responsabilização, impactando a dignidade social ao modificar sentenças de grande apelo público e gerar um debate acalorado sobre os limites de atuação de cada poder.

O Congresso detém a prerrogativa de legislar sobre o tema, um ponto frequentemente destacado pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal durante os debates sobre a proposta que culminou na redução das penas para condenados em eventos como a trama golpista. Ao Supremo cabe, primordialmente, analisar a constitucionalidade de tal matéria.

Adicionalmente, magistrados do tribunal já haviam sinalizado aprovação ao texto em fases anteriores de votação na Câmara e no Senado.

Por fim, o Supremo Tribunal Federal atravessa um período de visível desgaste institucional e registrou uma derrota política com a anulação do veto presidencial. Uma eventual tentativa de reversão seria vista como uma retaliação, intensificando a já delicada relação entre os poderes Legislativo e Judiciário.

Apesar de tal avaliação ser compartilhada por líderes partidários influentes, alguns grupos políticos planejam ingressar com ações no Supremo para contestar a decisão do Congresso que derrubou o veto do presidente Lula à Lei da Dosimetria.

Este movimento faz parte de uma intensa batalha política, especialmente em um ano eleitoral crucial, no qual o presidente busca a reeleição para seu quarto mandato.

Diante deste cenário, o presidente Lula decidiu não promulgar a Lei da Dosimetria, que havia sido integralmente vetada por ele.

Em vez disso, Lula deixará a responsabilidade da promulgação para Davi Alcolumbre, a quem o governo atribui derrotas significativas, como a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo e a própria derrubada do veto presidencial.

O presidente Lula ainda não definiu sua estratégia de resposta às ações de Alcolumbre que resultaram em reveses para o governo, mas a expectativa é que não haja um confronto direto no curto prazo.

Contudo, o presidente sinaliza que enviará um novo nome para a vaga no Supremo Tribunal Federal, sem ainda ter decidido o escolhido. Aliados próximos sugerem a indicação de uma jurista negra, em um movimento estratégico que, argumentam, o Senado teria grande dificuldade em rejeitar.

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