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Conflito no Oriente Médio acelera IGP-M de abril, mostra FGV

Conflito no Oriente Médio acelera IGP-M de abril, mostra FGV

Alta de 2,73% pressiona produtores e consumidores, encarecendo gasolina, diesel e materiais de construção.

Os brasileiros enfrentam um cenário de inflação crescente, conforme revelado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou uma alta significativa de 2,73% em abril, superando a expectativa de mercado e intensificando a pressão sobre o poder de compra. A aceleração, que contrasta com a elevação de 0,52% do mês anterior, é atribuída diretamente aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que elevam os custos em diversas cadeias produtivas.

A expectativa em pesquisa da Reuters indicava um avanço de 2,53%, mas o resultado surpreendente eleva o acumulado do índice para 0,61% nos últimos 12 meses. O impacto do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz é a força motriz por trás dessa elevação generalizada, conforme explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

A escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem provocado uma valorização acentuada dos preços do petróleo, especialmente diante da ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz. Essa instabilidade projeta repercussões mundiais nos custos de diversas commodities, sem previsão de estabilização no curto prazo.

No cenário doméstico, o Banco Central também anuncia sua decisão sobre a política monetária nesta quarta-feira. A expectativa do mercado financeiro aponta para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, que atualmente está em 14,75%, apesar da cautela manifestada pela autoridade monetária em relação aos efeitos do conflito internacional.

A pressão inflacionária se manifesta intensamente no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente majoritário do IGP-M com peso de 60%, disparou 3,49% em abril, contra 0,61% em março. Este aumento vertiginoso reflete diretamente os choques de custo para as empresas, que tendem a repassar esses valores ao consumidor final.

O economista Dias detalha que "nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra". Ele acrescenta que já se observam "repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo", impactando diretamente o orçamento familiar.

No front do consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que corresponde a 30% do índice geral, também registrou alta de 0,94% em abril, após 0,30% em março. Essa elevação mostra que a inflação já chegou às prateleiras e aos serviços que afetam o dia a dia da população.

Ainda segundo Dias, "os preços ao consumidor ainda refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis, com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%", impactando diretamente os gastos com transporte e logística de produtos.

O setor da construção civil também sente o peso do cenário. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou para 1,04% no período, vindo de 0,36% em março. A FGV aponta que a pressão vem do aumento dos materiais, como massa de concreto, tubos e conexões de PVC e blocos de concreto, cujos custos são reajustados devido à elevação dos insumos.

A metodologia do IGP-M abrange a apuração de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil, compilando dados entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência para oferecer um panorama abrangente da inflação.

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