CUSTO DE VIDA
Conflito externo eleva pressão inflacionária no Brasil, diz SPE
Petróleo Brent sobe 25%, impactando combustíveis e alimentos. IPCA passa a 4,5% para 2026 e Selic pode chegar a 13%.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para cima a estimativa de inflação para 2026, projetando o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 4,5%, ante os 3,7% previstos anteriormente. O anúncio, feito nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, no Boletim Macrofiscal, reflete o impacto direto da alta do petróleo – impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã – sobre o custo de vida dos brasileiros, especialmente em combustíveis e alimentos, e sinaliza uma possível manutenção de juros elevados.
Apesar do cenário externo mais desafiador e da previsão de juros altos por um período estendido, o governo manteve sua projeção de crescimento para o PIB em 2,3%.
A secretária de Política Econômica, Débora Freire, e o subsecretário da SPE, Rafael Leão, detalharam o relatório durante apresentação em Brasília, enfatizando as razões por trás da revisão.
O fechamento do estreito de Ormuz, conforme apontou a equipe econômica, impulsionou a cotação internacional do petróleo, freando a queda de juros em economias desenvolvidas e intensificando a pressão inflacionária global. Este choque energético tem um impacto direto nos preços de combustíveis e alimentos, desestabiliza o câmbio e complica a gestão da política monetária no Brasil.
O Boletim revela que a cotação média do barril de Brent para 2026 saltou de US$ 73,1 em março para US$ 91,2 em maio, um aumento de cerca de 25%. Paralelamente, a projeção para a taxa Selic terminal elevou-se de 12% para 13% ao ano, impactando diretamente o custo do crédito e dos investimentos no país.
Rafael Leão confirmou que a escalada do petróleo emergiu como o principal fator de pressão sobre a inflação brasileira. O IPCA acumulado em 12 meses, por exemplo, avançou de 3,8% em fevereiro para 4,4% em abril. Os preços monitorados, impactando diretamente o bolso do consumidor, subiram de 4,4% para 6,1%, impulsionados majoritariamente pelo aumento da gasolina.
Além dos combustíveis, os alimentos também contribuem para a escalada inflacionária. O governo identificou aumentos significativos em itens essenciais como carnes, leite, arroz e produtos in natura, um movimento que a SPE atribui, em parte, a choques de oferta e ao ciclo pecuário.
Mesmo com a revisão das expectativas de inflação, a SPE sustenta a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026. O governo antecipa uma desaceleração da atividade econômica no segundo e terceiro trimestres, com uma recuperação aguardada para o final do ano, impulsionada pela indústria manufatureira.
Um ponto de resiliência na economia brasileira, conforme destaca o relatório, é o mercado de trabalho robusto. A taxa de desocupação atingiu 6,1% no trimestre finalizado em março, marcando o menor patamar da série histórica para este período e trazendo alívio para milhares de famílias.
Para mitigar os efeitos da alta global do petróleo, a SPE informou que o governo implementou medidas fiscais, incluindo subsídios ao diesel, uma redução temporária de PIS/Cofins e linhas de financiamento para empresas. O impacto mensal dessas ações foi estimado em R$ 6,2 bilhões, buscando aliviar a pressão sobre os consumidores e o setor produtivo.
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