CÂMBIO NA COPA
Confederação Nacional do Comércio estima R$ 4,32 bilhões em vendas para o varejo brasileiro durante a Copa do Mundo de 2026
A projeção da CNC aponta um crescimento real de 6,5% em relação ao Mundial de 2022, com destaque para o setor de alimentos e bebidas. O crédito restritivo, no entanto, limita o impacto em bens duráveis.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) decidiu que o varejo brasileiro deve registrar um faturamento de R$ 4,32 bilhões durante a Copa do Mundo de 2026. A estimativa divulgada nesta terça-feira, 09/06/2026, considera um crescimento real de 6,5% em comparação com o Mundial de 2022. O motivo é o aumento do consumo esperado em diversos setores, e a relevância deste evento para a economia nacional reside no impulso que proporciona ao comércio em um período de grande engajamento popular.
O levantamento projeta que o período do torneio impulsionará as vendas, especialmente em segmentos como alimentos, bebidas, eletroeletrônicos e vestuário. A maior concentração de vendas está prevista para o mês em que ocorre a competição.
Supermercados lideram impacto nas vendas
Segundo a CNC, o setor de hiper e supermercados, juntamente com alimentos e bebidas, deverá concentrar aproximadamente R$ 3,97 bilhões, o que representa quase 70% do total estimado. Em seguida, o setor de vestuário e acessórios deve movimentar R$ 803,7 milhões, e artigos de uso pessoal e doméstico, incluindo eletroeletrônicos, R$ 262,6 milhões.
Os efeitos das vendas, contudo, variam conforme o setor. Enquanto supermercados e alimentos tendem a sentir o impacto no próprio mês do Mundial, eletrodomésticos e móveis exibem uma reação mais forte nos meses que antecedem o evento.
Crédito caro restringe compras de eletrônicos
Apesar das expectativas positivas, a CNC alerta que o ambiente de crédito permanece restritivo, o que tem limitado a aquisição de bens duráveis, como televisores. A taxa Selic se mantém em patamares elevados, e o crédito para pessoas físicas ultrapassa os 60% ao ano, desestimulando o consumo parcelado. Mesmo com uma redução de 18,9% no preço médio dos televisores entre 2022 e 2026, a demanda ainda não alcançou os níveis prévios de Copas anteriores.
Mercado de trabalho impulsiona consumo geral
O estudo da CNC aponta que o crescimento do varejo está mais atrelado ao desempenho do mercado de trabalho e da renda. A taxa de desemprego recuou de 9,3% no segundo trimestre de 2022 para 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Paralelamente, a massa de rendimentos reais expandiu 28,8% no mesmo período. Esse cenário mais favorável contribui para sustentar o aumento do consumo, mesmo diante de um crédito mais oneroso.
Interesse por TVs aumenta, mas ainda é inferior a Copas passadas
Dados do Google Trends analisados pela CNC indicam que a busca por Smart TVs cresceu 8,4% em maio de 2026 em relação ao mês anterior. Contudo, o interesse permanece 15,6% abaixo do registrado nas vésperas da Copa de 2022. O levantamento sinaliza que, embora haja movimentação típica no período pré-Copa, o consumidor exibe uma postura mais cautelosa na compra de bens de maior valor agregado.
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