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Comissão da Câmara deve votar nesta terça (9) redução da maioridade penal para 16 anos

Comissão da Câmara deve votar nesta terça (9) redução da maioridade penal para 16 anos
Reunião da CCJ da Câmara Federal. Imagem: Pablo Valadares

PT se posiciona historicamente contra a proposta; texto já tem parecer favorável do relator

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O parecer do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), é favorável ao andamento da matéria.

A CCJ é o primeiro passo da tramitação dentro da Câmara, sendo o colegiado responsável por verificar a constitucionalidade das propostas. Caso seja aprovada pelos membros, a PEC deve seguir para uma comissão especial, que ficará responsável por analisar o mérito da proposta antes de eventual votação pelo plenário da Câmara.

Apresentada pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) em 2015, a proposta estabelece que “a maioridade é atingida aos dezesseis anos”, idade a partir da qual a pessoa passaria a ser considerada penalmente imputável.

No parecer, Coronel Assis argumenta que a redução da maioridade penal não viola cláusulas pétreas da Constituição nem compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Segundo o relator, a definição da idade de imputabilidade penal pode ser alterada por meio de emenda constitucional e cabe ao Congresso decidir sobre o mérito da proposta.

A votação ocorre em meio ao ressurgimento do tema no debate político nacional. Defendida majoritariamente por setores da direita, a redução da maioridade penal voltou a ganhar espaço nos últimos meses e tem sido usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, como uma das bandeiras de sua pré-campanha.

“Esse tipo de medida pode ser aprovada quando o presidente da República usa seu prestígio junto ao Congresso Nacional. Assim farei! Acabou a tolerância com bandido que usa a idade cronológica para cometer crimes bárbaros!”, escreveu o senador nas redes sociais no mês passado.

O avanço da PEC também aumenta a pressão sobre o governo federal, que historicamente se posiciona contra a redução da maioridade penal. Na Câmara, parlamentares do PT e de partidos da base aliada têm tentado barrar a proposta.

Durante audiência pública realizada pela CCJ para discutir o tema, o deputado Patrus Ananias (PT-MG) afirmou que a medida tende a fortalecer o recrutamento de adolescentes pelo crime organizado.

— E daqui algum tempo estaremos discutindo aqui reduzir a maioridade para 14 anos, para 12 anos — declarou.

Na segunda-feira, a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ)) apresentou voto em separado pela rejeição da PEC. No documento, a parlamentar sustenta que a inimputabilidade penal dos menores de 18 anos constitui uma cláusula pétrea da Constituição e que a proposta representa um “retrocesso” nos direitos de crianças e adolescentes.

A discussão sobre a maioridade penal já havia provocado divergências na Câmara em março deste ano. Durante a elaboração da chamada PEC da Segurança Pública, o relator, deputado Mendonça Filho (PL-BA), incluiu no texto um dispositivo relacionado à responsabilização penal de menores de 18 anos. A iniciativa gerou forte reação de parlamentares da base governista e de parte do centro, e acabou sendo retirada para facilitar a construção de consenso em torno da proposta principal.

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