PODER E DESAFIO POLÍTICO

Com 52% de desaprovação, Lula tem na máquina pública seu dilema, analisa Teo Cury

Com 52% de desaprovação, Lula tem na máquina pública seu dilema, analisa Teo Cury

Levantamento do Instituto Real Time Big Data, divulgado em 04 de maio de 2026, aponta 52% de desaprovação ao governo Lula. Analista Teo Cury discute estratégias para reverter o cenário em 05 de maio de 2026.

A análise política realizada nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, por Teo Cury durante o CNN Novo Dia, revelou que a máquina pública, embora seja uma potente vantagem, representa um grande desafio para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa avaliação surge após um levantamento do Instituto Real Time Big Data, divulgado em 04 de maio de 2026, apontar que 52% dos eleitores desaprovam a gestão atual, enquanto 42% a aprovam. A capacidade do governo em transformar suas ações em resultados palpáveis e comunicá-los à população será decisiva para o futuro político de Lula, impactando diretamente as chances de uma eventual reeleição e a percepção da sociedade sobre sua governança.

Cury enfatizou que dispor da estrutura governamental é um trunfo significativo. Contudo, se essa vantagem não for convertida em resultados claros e perceptíveis para o cidadão, a desaprovação tende a aumentar, comprometendo as perspectivas eleitorais. "Você ter a máquina pública na sua mão é uma vantagem muito grande. Se você não souber usar e não conseguir converter o que está fazendo em resultados, a desaprovação sobe e a chance de reeleição diminui", explicou o analista.

Paralelo com eleições anteriores

O analista estabeleceu um paralelo com a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também dispôs da máquina pública em 2022, mas viu sua desaprovação crescer e culminar em sua derrota eleitoral. Para Cury, a maneira como Bolsonaro conduziu a pandemia e o consequente aumento de sua desaprovação foram elementos cruciais para o resultado das urnas.

Nichos eleitorais e estratégias de campanha

A pesquisa do Instituto Real Time Big Data detalha recortes importantes do eleitorado, mostrando onde cada figura política tem maior adesão. Lula mantém vantagem entre mulheres, parcelas mais pobres da população e na região Nordeste. Por outro lado, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera entre evangélicos, na região Sul e entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos.

Teo Cury observou que ambos os grupos políticos já realizam movimentos estratégicos para solidificar suas bases de apoio. Ele citou o programa "Desenrola" do governo federal como exemplo da busca de Lula por eleitores. O programa foca no endividamento de mulheres e jovens, demonstrando uma ação direta para atender às necessidades desses segmentos da sociedade.

No cenário de Flávio Bolsonaro, Cury destacou a estratégia de consolidar o eleitorado evangélico, mencionando o notório apoio do pastor Silas Malafaia à campanha. O objetivo, conforme o analista, é primeiro garantir essa base sólida para depois tentar diminuir a resistência em outros grupos, como o das mulheres.

Nordeste e o risco de erosão do apoio

Um ponto de atenção para os aliados de Lula é a possível redução do apoio no Nordeste, uma região que sempre foi um reduto eleitoral forte para o petista. "Ao longo dos últimos anos, reduziu bastante o apoio do presidente Lula no Nordeste. Há um temor por parte de aliados do presidente Lula de uma redução significativa do apoio do Nordeste, que sempre foi um nicho do presidente", alertou Teo Cury. Para o analista, o presidente Lula não pode se dar ao luxo de perder essa base eleitoral estratégica, especialmente enquanto ainda enfrenta dificuldades para conquistar eleitores de centro e reverter a alta desaprovação nacional.

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