EQUIDADE E SAÚDE
Colaboração Público-Privada impulsiona SUS no SP Innovation Week
De telemedicina a transplantes, parcerias buscam acesso e sustentabilidade. Felipe Piza projeta cirurgias robóticas.
Um painel estratégico marcou nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, o encerramento do SP Innovation Week, reunindo figuras-chave da Saúde para debater a essencial colaboração entre os setores público e privado. Representantes das esferas municipal, federal e da iniciativa privada, como Felipe Piza, diretor de responsabilidade Social e Filantropia do Hospital Albert Einstein, Luiz Carlos Zamarco, secretário municipal da Saúde de São Paulo, e Aline De Oliveira Costa, diretora do Departamento de Cooperação Técnica, Inovação e Desenvolvimento em Saúde do Ministério da Saúde, discutiram como forjar um SUS mais equitativo e sustentável. A iniciativa visa buscar soluções concretas para os desafios de um país continental com mais de 200 milhões de habitantes e uma população crescentemente envelhecida, que enfrenta a previsão de 781 mil novos casos de câncer anuais, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
A discussão, mediada pela editora do Estadão Adriana Moreira, destacou o impacto direto dessas parcerias na vida dos cidadãos. O acesso à saúde de qualidade e a esperança de tratamento para doenças complexas dependem cada vez mais de modelos inovadores que transcendam as barreiras tradicionais.
Aline De Oliveira Costa detalhou os diversos formatos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) existentes no Brasil, com ênfase no Proadi-SUS. Este programa inovador congrega seis hospitais de excelência que, em vez de pagar tributos, investem valores equivalentes em projetos de interesse público. Nos últimos 13 anos, essa modalidade resultou em um investimento de cerca de R$ 7,9 bilhões no SUS, um montante que dificilmente seria alcançado pelo modelo tradicional, e que transforma diretamente o atendimento de milhões.
Felipe Piza, do Hospital Albert Einstein, um dos hospitais participantes do Proadi-SUS, apresentou exemplos palpáveis do impacto dessas iniciativas. Desde 2009, o Einstein realiza transplantes de órgãos sólidos de alta complexidade – como fígado, coração, pulmão, rim, multivisceral e intestino – para pacientes do SUS. Mais de 4 mil vidas foram transformadas graças à infraestrutura e tecnologia de ponta do hospital.
Piza sublinhou a solidez da parceria de 25 anos do Einstein com o SUS, que se estende por projetos que vão desde ações em comunidades na Amazônia e gestão de unidades de saúde até avanços em tecnologia. Essa colaboração longeva demonstra um compromisso contínuo com a saúde pública brasileira.
O secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, destacou projetos bem-sucedidos implementados em São Paulo e enfatizou a crucialidade da parceria com universidades, tanto públicas quanto privadas, em diversas áreas da saúde.
Aline De Oliveira Costa também salientou a relevância do programa "Agora Tem Especialistas" do Ministério da Saúde. O programa, composto por oito componentes, busca ampliar o acesso a consultas e cirurgias especializadas, otimizando o financiamento, gestão e avaliação das ações.
Os palestrantes convergiram sobre o potencial da telemedicina para encurtar filas e otimizar custos, mantendo a excelência no atendimento. Eles também ressaltaram casos de sucesso onde a união de esforços entre as esferas municipal, privada e pública gerou resultados positivos diretos para a população.
Olhando para o futuro, Felipe Piza compartilhou a visão promissora das cirurgias robóticas remotas já em prática na China. "É algo muito promissor", afirmou, apontando para o potencial de transformar radicalmente a oferta de procedimentos cirúrgicos de alta complexidade no Brasil.
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