CUSTOS NO TRANSPORTE

CNT projeta impacto de R$ 12 bilhões anuais com fim da escala 6x1

Vander Costa em entrevista na sede da CNT em Brasília
O presidente da CNT, Vander Costa, durante entrevista ao Poder360, na sede da Confederacão Nacional do Transporte, em Brasília

Confederação Nacional do Transporte alerta para escassez de profissionais e defende negociações coletivas em vez de mudanças na Constituição.

O impacto financeiro estimado da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que extingue a escala de trabalho 6x1 pode atingir R$ 12 bilhões por ano no setor de transportes, conforme projeção da CNT (Confederação Nacional do Transporte). Em análise divulgada nesta segunda-feira, 13/07/2026, a entidade reforça que, além do peso orçamentário, o maior desafio para as empresas é a carência de mão de obra qualificada no mercado.

Vander Costa, presidente da CNT, pontuou que o setor emprega cerca de 2,5 milhões de pessoas e já convive com lacunas de pessoal. Segundo o dirigente, a limitação da jornada via emenda constitucional, sem o devido diálogo setorial, pode agravar a escassez de profissionais e pressionar a inflação, uma vez que o aumento dos custos operacionais tende a ser repassado ao consumidor final.

A pauta tramita na Câmara dos Deputados e aguarda apreciação pelo Senado. A posição da CNT é de que as adequações de jornada devem ocorrer via negociações coletivas, permitindo maior flexibilidade e adaptação às necessidades específicas de cada segmento do transporte.

Impacto no transporte público e regra de transição

A preocupação se estende ao transporte coletivo urbano. Segundo Vander Costa, a necessidade de contratar mais motoristas ou pagar horas extras pode levar empresas a reduzir a oferta de viagens, especialmente em fins de semana, comprometendo a mobilidade da população. Para mitigar riscos, a entidade defende que, caso a medida seja aprovada, haja uma regra de transição gradual que permita ao setor se ajustar economicamente.

Debates sobre frete e segurança

O setor também monitora a MP (Medida Provisória) 1.343, sobre o transporte rodoviário de cargas, destacando preocupações com a viabilidade técnica de algumas exigências. Sobre possíveis movimentos paredistas, o presidente da CNT considera improvável uma greve nacional da categoria.

Quanto ao combate ao crime organizado, a CNT aposta na eficácia da nova legislação que permite suspender o CNPJ de empresas que comercializem mercadorias roubadas, buscando inibir a receptação de cargas ilícitas.

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