JUDICIÁRIO SOB LUPA
CNJ investiga presidente do TST por fala política
Rogério Marinho aciona Conselho após ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho declarar ter "causa vermelha" em evento de 1º de maio de 2026.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) protocolou, nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, uma representação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho. O parlamentar busca a apuração de uma conduta que, segundo ele, compromete a imparcialidade do Judiciário: uma declaração feita pelo magistrado durante um evento oficial do Dia do Trabalhador, em 1º de maio de 2026. A ação visa defender a confiança pública na Justiça, essencial para o Estado Democrático de Direito.
"Nós, vermelhos, temos causa" e "não tem preocupação com os azuis, mas com os vermelhos" foram as frases proferidas pelo ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho durante a solenidade. Na representação, o senador Rogério Marinho argumenta que tal expressão possui uma clara conotação político-partidária no cenário brasileiro, o que levantaria dúvidas sobre a neutralidade de um membro do Judiciário.
O parlamentar não apenas pede a abertura de um procedimento disciplinar para investigar a conduta do ministro, mas também solicita a requisição de todas as gravações do evento e demais registros pertinentes ao caso. A iniciativa busca esclarecer os fatos e garantir a integridade da função judicante.
O documento protocolado por Rogério Marinho fundamenta-se em importantes pilares legais e éticos. Ele cita o artigo 95 da Constituição Federal, que proíbe expressamente magistrados de exercerem atividade político-partidária. Além disso, invoca dispositivos da Lei Orgânica da Magistratura, do Código de Ética da Magistratura e de resoluções do próprio CNJ, que estabelecem parâmetros rigorosos para a conduta de juízes.
A representação sublinha a importância da autonomia judicial, afirmando: "A independência do Judiciário é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Ela, porém, não existe para proteger o magistrado, existe para proteger o jurisdicionado." Para o senador, "ao declarar publicamente sua identidade político-ideológica, o Ministro Presidente do TST [...] comprometeu a confiança que a sociedade brasileira [...] deve poder depositar na instituição", impactando diretamente a percepção de justiça e imparcialidade.
Esta representação marca o início de um processo que pode levar à análise da conduta do ministro, com o objetivo de reafirmar os princípios de neutralidade e apartidarismo exigidos de membros do Poder Judiciário.
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