INDÚSTRIA EM AÇÃO
CNI propõe à XP Inc. plataforma para expansão industrial
Iniciativa busca atrair capital e internacionalizar empresas. Debatida em Nova York, 12 de maio de 2026.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) propôs à XP Inc. a criação de uma plataforma conjunta para impulsionar a expansão produtiva, a internacionalização de empresas brasileiras e atrair capital para projetos estratégicos da indústria nacional. A iniciativa, debatida nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, durante a Semana do Brasil em Nova York, busca fortalecer a competitividade do país no cenário global, respondendo a complexas dinâmicas geopolíticas e econômicas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, participou do encontro acompanhado de dirigentes de federações estaduais da indústria. A proposta visa à formação de um grupo de trabalho e à implementação de um projeto piloto, envolvendo os escritórios internacionais da entidade e setores considerados prioritários para a atração de investimentos e o compartilhamento de inteligência de mercado.

Segundo Alban, o cenário global atual favorece iniciativas de integração entre instituições capazes de combinar presença territorial, inteligência econômica e estruturação financeira, elementos cruciais para o desenvolvimento e a dignidade das comunidades impactadas.
“Vivemos um momento em que decisões de investimento são cada vez mais influenciadas por geopolítica, reorganização de cadeias globais e gestão de risco. Isso abre espaço para parcerias que combinem inteligência de mercado, presença territorial e capacidade de estruturação financeira, como a que vemos com a XP”, afirmou Alban, destacando o impacto direto na geração de empregos e na prosperidade das famílias brasileiras.
A proposta da CNI é utilizar a rede de federações estaduais e escritórios internacionais como centros permanentes de inteligência aplicada. Esses hubs mapearão oportunidades de negócios, movimentos de realocação industrial, tensões comerciais e prioridades de política industrial em diferentes mercados, fornecendo informações valiosas para as empresas brasileiras.
“Queremos usar os escritórios como hubs de inteligência aplicada, não apenas institucionais. Isso inclui uma troca regular de informações geopolíticas, com movimentos de realocação industrial, tensões comerciais e prioridades de política industrial em diferentes regiões”, reiterou Alban, enfatizando o papel vital na proteção e crescimento da indústria nacional.
Participaram da reunião os executivos Rafael Furlanetti e Fernando Ferreira, da XP Inc., além de representantes das federações industriais. O encontro também abordou perspectivas econômicas e oportunidades para ampliar a competitividade da indústria brasileira no cenário internacional.
Pela manhã, dirigentes da indústria reuniram-se com o presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, Will Landers, e com o CEO da Grant Thornton Brasil, Daniel Maranhão. Este último apresentou análises sobre governança corporativa, inteligência artificial, inovação e gestão de talentos, temas essenciais para a modernização das empresas.
Durante os debates, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul, Sérgio Longen, afirmou que a indústria brasileira enfrenta uma perda crescente de competitividade devido à elevada carga tributária e ao chamado Custo Brasil. Segundo ele, o setor necessita acelerar investimentos em inovação e pesquisa aplicada para garantir seu futuro.
“Muito se fala de inovação, muito se fala de IA, muito se fala de projetos estruturantes, mas quando você entra na empresa, esse produto ainda não está lá na prateleira”, afirmou Longen, sublinhando a urgência de transformar ideias em resultados concretos que beneficiem a sociedade.
A agenda também incluiu discussões sobre desenvolvimento sustentável e inclusão produtiva na Amazônia Legal. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia, Marcelo Thomé, defendeu maior coordenação institucional para modernizar a agenda econômica da região amazônica, buscando a valorização da vida e do meio ambiente.
Segundo Thomé, apesar do elevado potencial ambiental e produtivo da região, persistem desafios estruturais ligados à pobreza, baixa inclusão financeira e fragilidade das cadeias produtivas. Ele destacou que a taxa de pobreza na Amazônia Legal alcança cerca de 36%, acima da média nacional de aproximadamente 21%, um dado que clama por soluções.
“A Amazônia não sofre de ausência de potencial. Ela sofre de ausência de coordenação econômica capaz de transformar esse potencial em prosperidade estruturada, sustentável e inclusiva”, afirmou Thomé, apelando por ações que garantam dignidade e futuro para seus habitantes.
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