COMÉRCIO EXTERIOR

CNI alerta que novas tarifas dos EUA colocam em risco exportações do Brasil

Ricardo Alban, presidente da CNI, em fotografia oficial.
Ricardo Alban, presidente da CNI, reforça a preocupação do setor industrial frente às novas barreiras comerciais.

Decisão de aplicar taxa de 25% sobre produtos nacionais pode agravar a perda de competitividade industrial, segundo entidades do setor.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, medida oficializada em 15 de julho de 2026. A decisão, que gera incerteza para o setor produtivo nacional, foi adotada pelo governo de Donald Trump sob a justificativa de práticas comerciais desleais, e o impacto na economia brasileira é visto como um obstáculo adicional à competitividade de longo prazo.

Dados divulgados pela CNI indicam que 20 dos 27 Estados brasileiros já registravam retração nas exportações destinadas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. O cenário atual tende a ser agravado, corroendo as margens de lucro e a sustentabilidade de empresas que dependem desse mercado estratégico. De acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige ações urgentes para retomar a normalidade nas relações comerciais construídas historicamente entre as duas nações.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também criticou a medida, classificando-a como um obstáculo unilateral. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou que a tarifa atua como um novo pedágio que incide sobre produtos de alto valor agregado, acumulando-se a desafios estruturais como a alta carga tributária e as elevadas taxas de juros reais enfrentadas pela indústria no Brasil.

A aplicação da sobretaxa fundamenta-se em uma investigação realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo norte-americano sustenta que o Brasil adota barreiras comerciais que prejudicam as empresas dos Estados Unidos, utilizando a taxação como ferramenta de pressão política para forçar ajustes em políticas econômicas internas. Até o momento, não há informações sobre mecanismos de recurso imediato para suspender a decisão.

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