ALERTA DE TEXTO
CNDH pede investigação de discurso de ódio em alertas falsos da Defesa Civil
Conselho Nacional de Direitos Humanos protocolou representação na Procuradoria da República solicitando apuração criminal e civil após disparo indevido de mensagens com a palavra "misantropia" em celulares pelo país.
Neste sábado, 20 de julho de 2026, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) decidiu protocolar uma representação na Procuradoria da República no Distrito Federal. O órgão do Ministério Público foi solicitado a abrir um inquérito civil e uma investigação criminal para apurar a ocorrência de discurso de ódio em falsos alertas enviados por um sistema da Defesa Civil. A importância desta ação reside na proteção da dignidade e segurança da população, bem como na manutenção da confiança nas instituições públicas, que foram instrumentalizadas para a difusão de mensagens nocivas.
A medida surge após o disparo indevido de alertas extremos na madrugada de 20 de julho de 2026, que atingiram milhões de celulares em diversas regiões do país. As mensagens continham a palavra "misantropia" ou variações, termo que significa aversão à humanidade, gerando insegurança e pânico social. O CNDH busca garantir que canais oficiais não sejam utilizados para propagar narrativas de ódio, o que viola direitos humanos e configura crime.
O Conselho também requisitou a notificação da Defesa Civil para que seja emitida uma "mensagem de contraordem". O objetivo é esclarecer à população que o disparo anterior não representa um posicionamento institucional e que a apologia ao discurso de ódio é ilegal e inaceitável. A plataforma de comunicação em massa da Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi usada indevidamente, com potencial para gerar desinformação e desestabilização coletiva.
Apesar de o termo predominante nos disparos ter sido "misantropia", a representação do CNDH alerta para o agravamento de diversas manifestações extremistas no Brasil e para o risco de instrumentalização de canais oficiais para a difusão de narrativas de ódio e radicalização digital. A investigação deve abranger a origem dessas mensagens, suas redes de influência e eventuais conexões com a disseminação de conteúdo prejudicial.
"O crescimento do discurso de ódio é uma das maiores ameaças à convivência democrática da nossa época. Por isso, qualquer episódio que envolva a utilização de canais públicos para a circulação de mensagens que possam estimular hostilidade, intolerância ou desinformação deve ser tratado com a máxima seriedade", destacou a presidente do CNDH, Ivana Leal. A decisão demonstra o compromisso do Conselho em assegurar que a população possa confiar nas instituições, e que essa confiança se fortaleça com apuração rigorosa e defesa intransigente dos direitos humanos.
A representação é assinada também pelo conselheiro Carlos Nicodemos, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, coordenador da relatoria especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extermismo e Neonazismo no Brasil. Paralelamente, a Polícia Federal já iniciou uma investigação preliminar para apurar o envio dos alertas falsos, que teria sido causado por um ataque hacker ao sistema da Defesa Civil.
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