INSPIRAÇÃO COSMOS

Clary do Ó, a 'Legalmente Loira' da NASA, brilha na astrofísica

Clary do Ó, astrofísica brasileira, vestida de rosa, sorrindo em um ambiente científico
‘Legalmente Loira’ da NASA: brasileira é pós-doutoranda em astrofísica

Aos 28 anos, a brasileira é pós-doutoranda na Califórnia, desvendando exoplanetas e mostrando que autenticidade impulsiona a excelência científica.

Nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, a história de Clary do Ó, uma astrofísica brasileira de 28 anos, tem se destacado na comunidade científica internacional. Como pós-doutoranda na Universidade da Califórnia e pesquisadora do Jet Propulsion Laboratory da NASA, Clary não apenas avança nas pesquisas sobre exoplanetas, mas também desmistifica o estereótipo do cientista, unindo paixão pela moda e excelência técnica. Sua trajetória inspiradora mostra que a ciência pode ser vibrante, acessível e diversa.

Com blush bem marcado, jaqueta e sapatos rosa, cabelo impecavelmente escovado e sombra de glitter, Clary do Ó personifica uma figura que desafia as convenções acadêmicas. Longe do estereótipo de uma cientista "apagada", ela se assemelha mais a uma estrela pop como Sabrina Carpenter ou a icônica Elle Woods, de “Legalmente Loira”, demonstrando que estilo e inteligência podem, e devem, coexistir.

“Sempre fui aquela criança perua, sabe? Minha mãe me inspirou a gostar de moda, me mostrando filmes tipo ‘Diabo Veste Prada’. Eu ia à loja da Swarovski no shopping, olhava para aquele teto todo brilhante, e pensava: meu Deus, são estrelinhas! Acho que o meu amor pelo espaço tem a ver com o meu amor por brilho”, revela Clary, com um sorriso, conectando sua paixão pela estética ao fascínio pelo cosmos.

Clary dedica-se à pesquisa de exoplanetas – aqueles que orbitam estrelas fora do nosso Sistema Solar. Este é um campo relativamente recente da ciência, com a primeira detecção de um planeta do tipo ocorrendo em 1995. Surpreendentemente, Clary sequer sabia da existência dessa carreira em sua juventude.

Durante o ensino médio, em São Paulo, ela planejava seguir os passos do pai na engenharia. Contudo, um intercâmbio na Alemanha no último ano escolar mudou seu destino. Ao ouvir uma colega falar sobre astrofísica no MIT, Clary encontrou sua verdadeira vocação. Rapidamente, reescreveu suas redações para as universidades americanas, trocando "engenharia" por "física" e inserindo uma paixão recém-descoberta.

“Escrevi muito mais empolgada, com muito mais amor. Acabei passando em outras universidades americanas também, mas só fui visitar a Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara (EUA), porque eu meio que sabia que era o lugar certo para mim. E realmente foi”, conta a astrofísica.

Uma astro na NASA

A jornada de Clary rumo à Agência Espacial Americana começou em 2019. Após construir uma sólida rede de contatos acadêmicos e realizar estágios na própria instituição de ensino, ela garantiu uma vaga no Jet Propulsion Laboratory (JPL), o prestigiado centro de inovação da NASA na Califórnia.

No JPL, Clary utilizou um espectrógrafo para detectar planetas indiretamente, observando o "balanço" sutil que uma estrela faz sob a atração gravitacional de um planeta. Apaixonada pela experiência, ela questionou seu mentor sobre como poderia retornar à NASA de forma permanente após a graduação. A resposta foi clara: "Faça um doutorado".

Entre 2020 e 2024, Clary dedicou-se ao doutorado, especializando-se em "imagem direta", uma técnica inovadora para fotografar planetas distantes diretamente. Este período de intensa pesquisa consolidou sua expertise no campo.

De volta para a galáxia rosa

Foi durante o doutorado, entre complexos cálculos e a escrita de uma tese embalada pela discografia de Ariana Grande — a quem dedicou seu trabalho final — que Clary decidiu resgatar sua verdadeira essência. No início da faculdade, ela havia cortado o cabelo curto e adotado cores neutras no vestuário, acreditando que precisava "ser levada a sério" no ambiente acadêmico.

“A gente tem um estereótipo de como deve ser um cientista. Definitivamente, não é uma Elle Woods, loira, super-rosa e cheia de brilhos”, reflete Clary, sobre as pressões invisíveis que enfrentou. Contudo, com o amadurecimento e a consolidação de sua competência, ela compreendeu que seu valor científico não estava atrelado à sua aparência ou à paleta de cores de seu guarda-roupa.

A transição de volta para seu mundo vibrante foi gradual, culminando em uma cena simbólica: uma reunião com sua orientadora, na qual Clary surgiu vestida de rosa choque dos pés à cabeça. O elogio sincero da mentora foi o selo de segurança que faltava para a astrofísica abraçar plenamente seu estilo autêntico.

Hoje, como pós-doutoranda na Caltech e atuando no JPL da NASA, Clary garante que sua produtividade na missão de desvendar exoplanetas é amplificada por um ritual matinal meticulosamente projetado: maquiagem caprichada e roupas alegres. “Voltar ao meu blush foi uma mudança muito positiva na minha vida. Eu não gosto de coisas apagadas. A vida, para mim, precisa ser colorida.”

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