POLÍTICA EM XEQUE

Ciro Nogueira confirma candidatura ao Senado após operação da PF

Ciro Nogueira diz que está ‘completamente indignado’ após ser alvo de operação da PF
Ciro Nogueira confirma que será candidato ao Senado e questiona operação da PF — Foto: Reprodução/Ascom

Senador do Progressistas-PI reafirma projeto político em 12 de maio de 2026, contestando apurações da Operação Compliance Zero.

O senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) confirmou, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, sua pré-candidatura à reeleição ao Senado Federal. A decisão, que reafirma seu projeto político em meio a turbulências, surge após a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que o investiga por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. O anúncio não apenas baliza seu futuro político, mas também lança novas discussões sobre o papel das investigações em um cenário eleitoral já aquecido.

Em um vídeo divulgado por sua assessoria, o presidente nacional do Progressistas expressou indignação, questionando a escolha de um líder da oposição ao governo do presidente Lula (PT) como primeiro alvo da Operação do Caso Master. "Essas coisas não surgem por acaso, acontecem porque estamos em ano eleitoral", afirmou o senador, levantando dúvidas sobre a imparcialidade do processo e sugerindo que "questões técnicas e provas estão em segundo plano para eles". A equipe de reportagem contatou o Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou os mandados, e a PF para obter posicionamento sobre as declarações de Ciro Nogueira e aguarda retorno.

A Polícia Federal sustenta que a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., onde Ciro Nogueira figura como sócio, teria servido de canal para o repasse de vantagens financeiras. Estas seriam uma contrapartida por sua atuação política em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os valores, segundo a investigação, poderiam alcançar R$ 500 mil mensais. Raimundo Nogueira, irmão do parlamentar e administrador da CNLF, também se tornou alvo da operação e atualmente cumpre monitoramento por tornozeleira eletrônica, revelando o alcance pessoal da investigação na família do senador.

No mesmo vídeo, Ciro Nogueira abordou, pela primeira vez publicamente, as acusações sobre os valores supostamente recebidos pela CNLF, apresentando sua versão dos fatos diante das alegações da PF.

"Agora inventaram que recebi ilegalmente valores por meio dessas empresas, valores que não chegam sequer a 1% do seu faturamento anual. Não chega a 0,5% do faturamento em dois anos", contestou o senador, buscando descredibilizar a materialidade das quantias apontadas.

Sobre a controversa Emenda Master, que propunha elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, Ciro Nogueira refutou a alegação da PF de que o texto teria sido publicado integralmente conforme sugestão da assessoria do Banco Master.

Ele defendeu a natureza privada do Fundo Garantidor de Crédito, enfatizando que "quem financia o fundo são os bancos, não é a União, não tem recursos públicos". O senador ainda provocou: "Até hoje ninguém veio a público explicar por que esse valor não é corrigido há 13 longos anos, sendo que isso só beneficia os grandes bancos", indicando um debate mais amplo sobre a regulamentação financeira.

Um dia antes de seu anúncio, na segunda-feira, 11 de maio de 2026, Ciro Nogueira realizou uma mudança significativa em sua equipe de defesa no Caso Master. O escritório de advocacia anterior comunicou que a alteração ocorreu "em comum acordo". No entanto, tanto o senador quanto seus antigos advogados mantêm silêncio sobre os motivos da substituição e o nome do novo representante legal, um fator que adiciona mistério ao desenrolar do processo e à sua estratégia jurídica.

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