DENÚNCIA E RESPOSTA

Ciro Nogueira acusa PF de perseguição política

Ciro Nogueira gravou vídeo em 12 de maio de 2026 para se defender das acusações relacionadas ao Caso Master.
Presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI) gravou vídeo se defendendo de acusações do caso Master.

Senador nega ilícitos e relaciona operação a sua liderança na oposição. Investigação apura elos com Banco Master e empresário Daniel Vorcaro.

Em uma forte declaração, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) negou, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, qualquer envolvimento em ilícitos e acusou a Polícia Federal de perseguição política. Ele atribui a operação de busca e apreensão, que o teve como alvo em 7 de maio, à sua liderança na oposição, gerando um debate sobre a independência das investigações e a proteção da dignidade política frente a acusações.

A Polícia Federal havia cumprido um mandado de busca e apreensão contra o senador em 7 de maio. A ação fez parte da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes ligados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

O congressista classificou as investigações como um "roteiro absurdo de ficção". Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele prometeu "desmascarar mais essas mentiras de quem tenta me parar" com a apresentação de fatos.

A investigação da PF sugere que Daniel Vorcaro teria oferecido vantagens econômicas a Ciro Nogueira. Em troca, o senador teria atuado em favor dos interesses do grupo econômico vinculado ao Banco Master.

Ciro Nogueira enfatizou sua trajetória de retidão. "Eu sempre andei no caminho das coisas corretas, porque a coisa mais correta que se tem na vida pública é fazer o bem para o povo", afirmou. Ele reconheceu que "todos os políticos, em algum grau, já sofreram" acusações, especialmente líderes de grandes partidos. Contudo, defendeu que "comprovar é outra história", garantindo que, como em episódios anteriores, "não conseguirão" provar qualquer ilicitude.

O senador ressaltou que esta não é a primeira vez que é "vítima de ataques" em um ano eleitoral. Ele relembrou que, em 2018, dias antes das eleições, também foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Naquela ocasião, após a quebra de sigilos e busca por provas, a Procuradoria-Geral da República não encontrou elementos suficientes para sustentar as acusações, permitindo sua reeleição.

Ciro Nogueira afirmou que a "história se repete" em 2026, reiterando: "Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, neste caso, em qualquer outro".

O senador expressou "muita estranheza" pelo fato de a operação ter focado em um líder da oposição. Ele ligou o caso à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava da autonomia financeira do Banco Central. Esta PEC visava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, uma medida que, segundo as investigações, poderia beneficiar o Banco Master e, consequentemente, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta que Ciro Nogueira recebeu da assessoria do Banco Master o texto da proposta.

A PF detalha que o texto da proposta, supostamente elaborado pela assessoria do Banco Master, foi enviado ao senador e então reproduzido "de forma integral" no Senado. Mensagens, que constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, indicam que Vorcaro teria afirmado que a emenda "saiu exatamente" como ele havia instruído.

Em sua defesa, Ciro Nogueira reafirmou a importância da proposta e anunciou que reapresentará a emenda para elevar a cobertura do FGC. Ele argumenta que a medida visa proteger correntistas e pequenas empresas em situações de falência bancária, um ponto de grande impacto social.

Ele contestou a alegação de que a "famosa emenda Master" foi publicada na íntegra como recebida. Ciro Nogueira destacou que o FGC é um fundo privado, financiado por bancos, sem recursos da União, e questionou por que o valor não foi corrigido nos últimos 13 anos. Para ele, a raiz dos problemas bancários está na "falta de fiscalização" do Banco Central, cuja diretoria é indicada pelo Presidente da República. Diante do cenário, o senador decidiu reapresentar a emenda, que propõe corrigir o valor do FGC para um patamar acima de R$ 840 mil, considerando a taxa Selic. Ele desafiou os grandes bancos a justificarem a negativa desta "proteção aos correntistas brasileiros".

Sobre as acusações envolvendo empresas de sua família, o senador minimizou os valores investigados. Ele citou uma rede de concessionárias de motocicletas, que fatura cerca de R$ 400 milhões anuais, e considerou "absolutamente comum" um depósito de R$ 3 milhões nessa empresa, dado o volume de negócios.

A divulgação do vídeo ocorreu após uma mudança na equipe de defesa do senador. Na segunda-feira, 11 de maio de 2026, o renomado advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, deixou o caso de comum acordo com o congressista. No mesmo dia, Ciro Nogueira anunciou a contratação do criminalista Conrado Gontijo para assumir sua defesa no Caso Master.

A nova defesa do senador reafirma que ele "não teve qualquer participação em atividades ilícitas". A equipe jurídica argumenta que as medidas investigativas se basearam em "mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros", buscando descredibilizar as provas.

Leia mais:

  • Kakay deixa defesa de Ciro Nogueira no caso Banco Master
  • Ciro Nogueira escolhe Conrado Gontijo para defesa no Caso Master

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário