CRIME QUE MARCOU

Cinquenta e um anos após a chacina, a marca de O Monstro de Capim Macio na memória de Natal

Registro histórico sobre a cobertura jornalística da época do crime em Capim Macio.
O caso, que chocou a capital potiguar em 1975, é lembrado como um divisor de águas na cobertura policial local.

Em 8 de agosto de 1975, uma propriedade na Zona Sul da cidade foi palco de um massacre que desafiou a segurança pública e o imaginário social potiguar

A história policial de Natal carrega, há cinco décadas, as cicatrizes de um dos crimes mais brutais que a cidade já presenciou. A chacina que vitimou uma família alemã na região de Capim Macio, na Zona Sul, completa 51 anos de um trauma coletivo que transformou a percepção de segurança da capital potiguar na década de 1970.

Na noite de 8 de agosto de 1975, a tranquilidade da então isolada zona rural de Capim Macio foi rompida por José Vilarim Neto, o homem que a imprensa da época apelidou de O Monstro de Capim Macio. O jovem, que atuava como caseiro no local, utilizou uma espingarda calibre 22 para tirar a vida de Alexe Flena, de 60 anos, das netas dela, Carla e Anthonieta, e da empregada doméstica Ana Lídia, que estava grávida.

O episódio, detalhado na obra 'Memórias do Jornalismo no Rio Grande do Norte', de Gustavo Sobral e Juliana Bulhões, destaca a frieza do criminoso, que tentou assassinar também a mãe das crianças, a professora Ruth Looman, que sobreviveu ao ataque. A captura de Vilarim ocorreu dias depois, em uma granja próxima a Macaíba, em uma operação que contou com a participação do então iniciante Maurílio Pinto de Medeiros, que mais tarde se tornaria uma lenda na segurança pública local.

Após quase cinco anos de espera, o julgamento impôs a condenação de 132 anos de prisão e dois anos de medida de segurança por homicídios, necrofilia e lesão corporal. Vilarim foi transferido para a Penitenciária João Chaves, localidade conhecida como o Caldeirão do Diabo devido às condições extremas.

O destino final do condenado permanece envolto em mistério e controvérsia. Embora registros antigos indiquem uma possível fuga, relatos internos sugerem um desfecho fatal dentro do presídio. Até os dias atuais, a ausência de esclarecimentos oficiais por parte das administrações da época mantém o caso como uma ferida aberta no arquivo histórico da criminalidade potiguar.

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