ÁGUAS DO RN
Chuvas elevam o nível de 30 reservatórios e fazem três açudes sangrarem no Rio Grande do Norte
Três reservatórios atingiram a capacidade máxima, enquanto outros 30 registraram crescimento significativo no volume de água. Situação hídrica do estado melhora após período de estiagem.
Um cenário de alívio e esperança se desenha no Rio Grande do Norte. Nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, o Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn) divulgou um relatório indicando que as chuvas recentes provocaram um aumento expressivo no volume de água em 30 açudes e fizeram com que três reservatórios atingissem a capacidade total, iniciando o processo de sangria. Essa melhora no quadro hídrico do estado é um alento para a população, especialmente após anos de severa estiagem que impactaram a vida de milhares de potiguares. A decisão de registrar o aumento se deu com base nos dados consolidados pelo Igarn. O que foi decidido é o reconhecimento da recuperação hídrica em diversas regiões. O motivo é o volume de chuvas, que se mostraram fartas em vários pontos do estado, principalmente no Oeste potiguar. Por que importa? Porque o aumento na disponibilidade de água é crucial para o abastecimento humano, para a agricultura, pecuária e pesca, setores vitais para a economia local e para a dignidade das comunidades. Entre os reservatórios que atingiram o ápice de sua capacidade e começaram a sangrar estão o açude Flechas, localizado em José da Penha; o açude Rodeador, que atende às cidades de Umarizal e Rafael Godeiro; e o açude Gangorra, em Rafael Fernandes. O açude Flechas, com capacidade para 8,9 milhões de metros cúbicos, atingiu o limite neste domingo, 17 de maio, registrando um aumento de 33,98% em seu volume. O Rodeador, com 21,4 milhões de metros cúbicos, também atingiu 100% de sua capacidade, apresentando um crescimento de 20,92%. Já o açude Gangorra, em Rafael Fernandes, com capacidade para 10 milhões de metros cúbicos, transbordou após um aumento de cerca de 18%, conforme informado no sábado. Esses números representam um marco importante, pois a sangria dos açudes significa que a água está fluindo livremente, indicando um excedente que, em circunstâncias normais, pode ser direcionado para outras bacias ou servir como reserva estratégica. O Igarn também destacou outros reservatórios com recargas expressivas. O açude Brejo, em Olho d’Água do Borges, saltou de 12,61% para 82,57% de sua capacidade, uma das maiores variações observadas. O açude Tourão, em Patu, avançou de 15,83% para 62,32%, um incremento de 46,49%. No total, 22 reservatórios monitorados pelo Igarn já estão com 100% da capacidade, incluindo açudes e lagoas como Campo Grande (São Paulo do Potengi), Marcelino Vieira, Riacho da Cruz, Encanto, Passagem, Sossego, Riachão (Rodolfo Fernandes), Lagoa do Jiqui, Lagoa de Pium, Lagoa de Extremoz e Lagoa do Boqueirão. As maiores barragens do estado também apresentam bons níveis: a Armando Ribeiro Gonçalves acumula 1,06 bilhão de metros cúbicos (44,79% da capacidade), e a barragem de Oiticica registra 73,92% de sua capacidade. O volume total das reservas hídricas superficiais do Rio Grande do Norte ultrapassa 2,85 bilhões de metros cúbicos, o que equivale a 53,87% da capacidade total dos 69 reservatórios monitorados. Apesar do cenário animador, a gestão hídrica ainda exige atenção. Alguns reservatórios, como Itans (Caicó), Passagem das Traíras (São José do Seridó), Dourado (Currais Novos) e Mundo Novo (Caicó), ainda operam com índices criticamente baixos, abaixo de 10% da capacidade. Isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo e planejamento para garantir o abastecimento a longo prazo, especialmente em regiões historicamente mais afetadas pela escassez hídrica.
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