AGRO GLOBALIZADO

China impulsiona presença no agronegócio brasileiro com foco em tecnologia e parcerias

China impulsiona presença no agronegócio brasileiro com foco em tecnologia e parcerias

Mais que parceiros comerciais, os chineses agora buscam e oferecem alta tecnologia em máquinas agrícolas e ciência tropical, ampliando seus investimentos e atuação no campo nacional.

A China intensifica sua presença em feiras agrícolas brasileiras, como a Agrishow, encerrada na semana passada em Ribeirão Preto. Este movimento estratégico, liderado pelo governo chinês e por suas empresas, visa não apenas estreitar laços comerciais, mas também trocar expertise tecnológica em minipeças e implementos de menor custo, essenciais para auxiliar o produtor rural brasileiro na mecanização. O impacto dessa colaboração promete impulsionar a inovação e a eficiência, transformando o cenário do agronegócio nacional.

Visitantes chineses circularam intensamente pela Agrishow, cuja extensão superava 150 mil metros quadrados. Entre a poeira da terra vermelha, as tradicionais botinas, chapéus e a constante utilização de celulares para traduções simultâneas, as negociações entre brasileiros e chineses evidenciaram uma miscelânea cultural que se acentuou nos últimos dois anos no evento.

A delegação chinesa no "Pavilhão China" chamou atenção pelo seu crescimento expressivo. A participação saltou 30%, passando de 18 para 50 empresas com estandes no local. A atmosfera era de intenso intercâmbio, com tradutores auxiliando nas vendas, mesas com cervejas paulistas, frutas tipicamente brasileiras e cartões de visita em mandarim, consolidando uma verdadeira ponte cultural e comercial.

Neeson Cheng, organizador do Pavilhão China, destacou à reportagem que a estreia dos chineses na feira, em 2025, foi crucial para firmar negócios no segmento de máquinas agrícolas no Brasil e na América do Sul. "Este ano, estamos, inclusive, em um espaço maior e mais bem localizado dentro da Agrishow", disse à CNN Agro.

"Nosso espaço aumentou. Antes, estávamos mais distantes da entrada; agora, estamos em uma área mais central. Isso é uma vantagem para nós. Com certeza, neste ano estamos bem mais satisfeitos do que no anterior", afirmou Cheng. Segundo ele, a edição de 2025 gerou muitos negócios que se concretizaram ao longo do ano seguinte, superando as expectativas iniciais.

O governo chinês planeja expandir sua participação para outros eventos de nicho. Além da Agrishow, encontros como a Expointer, que ocorrerá em Esteio (RS), entre 29 de agosto e 6 de setembro deste ano, terão maior presença de grupos chineses em suas agendas de negócios.

Essa expansão é vista como estratégica e cada vez mais agressiva. O foco não se limita à compra de commodities, mas também ao fornecimento de tecnologias e soluções de inteligência artificial. Drones chineses, por exemplo, estão entre os itens que mais despertam o interesse dos visitantes, evidenciando o desejo de modernização do campo brasileiro.

Além do Pavilhão China, marcas como a DJI já possuem presença consolidada no mercado nacional. A empresa mantém uma estratégia de crescimento no país baseada na oferta de equipamentos mais acessíveis e no fortalecimento de parcerias locais, mirando um mercado que considera ainda pouco explorado.

Oficialmente no Brasil desde 2020, a DJI já disponibiliza três drones agrícolas recentes em seu portfólio. Os equipamentos atendem a diversos perfis de produtores, desde um modelo menor, com 20 litros de capacidade para agricultura familiar, até o maior, com 100 litros de capacidade, demonstrando a versatilidade da oferta.

A empresa destaca que o desempenho operacional dos drones pode alcançar até 230 hectares por dia, dependendo das condições de uso. "É um equipamento muito eficiente, com novos sistemas de segurança, sensores, câmeras e tecnologias que permitem operação até em ambientes com baixa luminosidade", sublinhou o representante da DJI.

Apesar dos avanços, a DJI avalia que o mercado brasileiro ainda está em estágio inicial. Atualmente, cerca de 20 mil drones agrícolas operam no país, representando uma penetração estimada de apenas 7% do potencial.

"Ainda é um mercado que está começando. Existe um espaço muito grande para crescer, principalmente considerando o tamanho da agricultura brasileira", afirmou à reportagem Levi Li, diretor de vendas da DJI no Brasil.

A projeção da empresa é ambiciosa: o Brasil pode alcançar até 170 mil drones agrícolas nos próximos cinco a dez anos, impulsionado pela demanda por maior eficiência e redução de custos no campo, conforme ressaltou o diretor.

Embora a fabricação seja concentrada na China, a companhia reforça seus investimentos no Brasil, sobretudo na estrutura comercial e de suporte. "Nossa produção é toda na China, por ser uma tecnologia de ponta, mas o investimento no Brasil continua crescendo. Todo ano a gente aumenta esse aporte", explicou.

A estratégia passa pela ampliação da rede de parceiros, contando com cerca de dez importadores e mais de 400 pontos autorizados em todo o país, que atuam tanto na venda quanto na assistência técnica. Esse foco em expansão local justifica a aposta e a crescente participação em feiras agrícolas, que atraem cada vez mais visitantes chineses ao Brasil.

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