ACORDO COMERCIAL IMINENTE
China anuncia negociação com EUA para reduzir tarifas após encontro entre presidentes
Países criam conselho para discutir acordo-quadro de redução recíproca de tarifas em produtos de valor equivalente. Compra de 200 aeronaves da Boeing também foi confirmada.
A China concordou em trabalhar com os Estados Unidos para reduzir tarifas que afetam dezenas de bilhões de dólares em produtos de ambos os lados. A decisão foi anunciada em comunicado do governo chinês divulgado nesta quarta-feira, 20/05/2026, poucos dias após a visita do presidente Donald Trump a Pequim. Este avanço importa porque representa um passo significativo para mitigar os impactos da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, buscando restaurar a confiança e aliviar custos para empresas e consumidores.
O presidente dos EUA, Donald Trump, posa para fotos com o presidente da China, Xi Jinping, durante uma visita ao Jardim Zhongnanhai, em Pequim, em 15 de maio de 2026. A imagem, capturada por Evan Vucci, do Pool/AFP, remete ao contexto do encontro que selou o início das negociações.
As duas maiores economias do mundo passaram boa parte de 2025 envolvidas em uma intensa guerra comercial, até que Trump e Xi Jinping firmaram uma trégua de um ano durante um encontro na Coreia do Sul, em outubro. A atual negociação busca consolidar essa trégua em um acordo mais duradouro, com potencial para beneficiar a economia global.
Como resultado da reunião da semana passada, os países criaram um conselho comercial. Neste fórum, as partes concordaram, em princípio, em discutir um acordo-quadro para a redução recíproca de tarifas sobre produtos de valor equivalente, conforme detalhado em comunicado do Ministério do Comércio da China. Este acordo, quando efetivado, pode representar um alívio para setores que sofreram com as barreiras comerciais impostas anteriormente.
Os cortes tarifários previstos devem atingir mercadorias avaliadas em US$ 30 mil ou mais para cada parte, segundo o documento publicado na internet. A medida visa equilibrar as trocas comerciais e promover um ambiente de negócios mais estável.
A China afirmou esperar que a parte americana cumpra o compromisso assumido na recente rodada de negociações e solicitou a prorrogação dos acordos de trégua comercial firmados no ano passado. A expectativa é que o diálogo fortaleça a cooperação bilateral.
Em um gesto de boa vontade, o Ministério do Comércio também informou que o país vai restabelecer os registros de alguns exportadores de carne bovina dos Estados Unidos, que haviam expirado no ano passado, em um momento de maior tensão com Washington. Esta ação pode reaquecer um importante mercado para produtos americanos.
Confirmando outro resultado do encontro entre Xi e Trump, o ministério afirmou que a China comprará 200 aeronaves da Boeing, sem detalhar os modelos. A encomenda representa um impulso significativo para a indústria aeronáutica americana e sinaliza a retomada de relações comerciais importantes.
Nos últimos meses, a imprensa americana noticiou que Pequim estava prestes a fazer um grande pedido à Boeing, que poderia incluir até 500 aviões 737 MAX, além de quase 100 unidades dos modelos 787 Dreamliner e 777. Os detalhes sobre os modelos específicos da nova compra ainda serão divulgados.
Sobre as terras raras — setor estratégico dominado pela China e alvo de restrições às exportações no ano passado — o comunicado não trouxe detalhes adicionais. No entanto, as partes declararam que "trabalharão juntas para estudar e resolver preocupações legítimas e legais de ambos os lados", indicando uma abertura para futuras discussões sobre pontos sensíveis.
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