CONECTIVIDADE CRÍTICA

CGI.br revela abismo digital nas escolas do Brasil

Gráfico ou imagem que representa a desigualdade de acesso à internet em escolas públicas brasileiras, com destaque para as regiões Norte e Nordeste.
Conectividade nas escolas públicas do Brasil: Norte e Nordeste ainda sofrem com a falta de acesso adequado, conforme dados do CGI.br.

Levantamento da TIC Educação mostra que 1/3 das instituições públicas ainda sofre com internet inadequada, comprometendo o ensino.

O Brasil ainda enfrenta um profundo abismo digital nas suas escolas públicas, impactando milhões de estudantes. Um levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e da pesquisa TIC Educação, divulgado nesta quinta-feira, 07/05/2026, revelou que, embora 72% das instituições urbanas possuam conexão compatível com padrões mínimos de qualidade, as regiões Norte e Nordeste persistem em um cenário de severas limitações estruturais, comprometendo o acesso a um ensino contemporâneo e equitativo. Esta disparidade digital não apenas dificulta o uso de ferramentas pedagógicas essenciais, mas também aprofunda a exclusão social e educacional de crianças e jovens.

A análise detalhada aponta que aproximadamente um terço das escolas públicas brasileiras luta contra problemas no acesso ou na qualidade da internet. No Norte do País, por exemplo, a conectividade adequada flutua entre 30% e 58%, contrastando fortemente com os avanços observados em estados do Sul e Sudeste. O estudo do CGI.br e da TIC Educação define "conectividade adequada" como aquela que suporta velocidade, estabilidade e disponibilidade compatíveis com plataformas digitais, conteúdos multimídia e atividades online.

A urgência dessa questão se tornou ainda mais evidente com a pandemia de Covid-19, quando a ausência de internet de qualidade paralisou atividades pedagógicas e o ensino remoto. Em resposta, o governo federal sancionou, em 2021, a Lei nº 14.172, destinando cerca de R$ 3,5 bilhões para a infraestrutura digital das escolas de educação básica. Apesar da injeção de recursos para aquisição de equipamentos e contratação de serviços, a execução do programa revelou-se desigual, acentuando as disparidades regionais.

Especialistas em educação e inclusão digital enfatizam que a conectividade vai além da velocidade: envolve infraestrutura elétrica, equipamentos modernos e superação de barreiras técnicas em áreas remotas. A internet de qualidade é hoje um pilar do ensino contemporâneo, e sua ausência impede o pleno desenvolvimento pedagógico.

Embora o País tenha visto um crescimento gradual na conectividade desde a pandemia, os estados do Norte e Nordeste continuam abaixo da média nacional. Muitas escolas formalmente conectadas operam com redes instáveis, lentas ou insuficientes para atender simultaneamente alunos e professores, transformando o "acesso" em uma ilusão para a realidade pedagógica.

Além da mera conexão, pesquisadores alertam para a necessidade premente de formação continuada para os professores e de ampliação da infraestrutura tecnológica interna. Uma internet rápida, por si só, não garante a inclusão digital efetiva sem o apoio de equipamentos adequados e capacitação pedagógica contínua. Essa desigualdade regional na conectividade reflete investimentos históricos insuficientes em infraestrutura básica, especialmente em municípios afastados e áreas rurais.

Apesar dos desafios persistentes, o avanço gradual da conectividade escolar é visto como um passo crucial na redução da exclusão digital e na ampliação de oportunidades educacionais em todas as regiões do Brasil.

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