CRISE NO SETOR

Cervejarias na Alemanha enfrentam crise e queda histórica no número de unidades

Copo de cerveja sendo servido em um ambiente de bar na Alemanha.
O consumo de cerveja na Alemanha vem caindo drasticamente, impactando a sobrevivência das cervejarias tradicionais. Foto: Robert B. Fishman/picture alliance

Dados do Destatis revelam redução de 3,6% no número de estabelecimentos em relação a 2024, impulsionada pela mudança nos hábitos de consumo e custos elevados.

O setor cervejeiro alemão atravessa um momento de transformação profunda, com o fechamento recorrente de fábricas devido à retração no consumo da bebida. O cenário foi evidenciado em levantamento divulgado nesta semana, coincidindo com as celebrações do Dia Internacional da Cerveja, ocorrido na sexta-feira (7).

Conforme dados do Escritório Federal de Estatística (Destatis), o país encerrou 2025 com 1.415 cervejarias em atividade. O montante representa uma redução de 53 unidades em relação a 2024, consolidando uma trajetória de declínio que soma 137 fechamentos desde 2019, o que equivale a uma queda de 8,8% no período.

A crise reflete diretamente a mudança no comportamento social, onde a saúde e a redução da ingestão alcoólica, especialmente entre os jovens, ganham protagonismo. Paralelamente, o aumento dos custos operacionais, notadamente com energia, tem tornado a manutenção de plantas tecnicamente defasadas inviável do ponto de vista econômico.

Para Volker Kuhl, executivo da Veltins, o setor vive uma crise estrutural manifesta. Segundo sua análise, a tendência de encerramento das atividades deve persistir à medida que empresas incapazes de modernizar seus processos produtivos perdem competitividade no mercado.

Enquanto o mercado tradicional de cerveja com álcool apresenta retração — com vendas 15,7% inferiores às registradas em 2019 —, a indústria volta seus esforços para as versões sem álcool. Segundo a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), esse segmento atingiu um volume recorde de 750 milhões de litros no ano passado.

O presidente da Brauerbund, Christian Weber, reforçou que o produto deixou de ser uma alternativa de nicho para se consolidar como o principal motor de crescimento da indústria, compensando parcialmente a perda de relevância dos rótulos alcoólicos tradicionais na mesa dos consumidores.

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