HABITAÇÃO EM RISCO
CBIC alerta: redução da jornada encarece Minha Casa, Minha Vida
Proposta de 40h semanais pode elevar custo da construção em até 15%, impactando acesso à moradia de baixa renda.
Um estudo divulgado nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) acende um alerta: a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode encarecer significativamente as moradias populares. A análise aponta que o impacto é direto no programa Minha Casa, Minha Vida, onde a mão de obra representa cerca de 60% do valor total dos projetos, ameaçando o acesso à casa própria para milhares de famílias de baixa renda e agravando o déficit habitacional do país.
A CBIC detalha que, caso a redução da jornada seja aprovada, os custos da mão de obra na construção civil podem subir até 15%, gerando um impacto anual estimado em R$ 20,3 bilhões se as horas reduzidas forem compensadas com pagamento de horas extras. Segundo a associação, essa elevação de custos será provavelmente repassada ao preço final dos imóveis, tornando o programa Minha Casa, Minha Vida menos acessível e dificultando a dignidade de ter um lar próprio para famílias de baixa renda.
O levantamento aponta que a redução representaria uma perda de quase 600 milhões de horas trabalhadas por ano. Para manter o ritmo atual das obras e evitar atrasos na entrega, o setor vislumbra três cenários: a contratação de 288 mil novos trabalhadores, com um custo adicional de R$ 13,5 bilhões anuais; a adoção de horas extras, que elevaria o custo total da mão de obra de R$ 135,3 bilhões para R$ 155,6 bilhões; ou uma drástica redução da atividade, com queda na produtividade e o inevitável atraso na entrega de projetos.
A CBIC argumenta ainda que essa discussão ocorre em um momento de baixo desemprego no país. A taxa de desemprego encerrou 2025 em 5,1%, o menor nível histórico, o que poderia dificultar a busca por novos trabalhadores para compensar as horas reduzidas e manter a produtividade. Além disso, os custos da construção já superam a inflação oficial, com a mão de obra no setor subindo 8,93% em 12 meses até janeiro de 2026, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 4,44% no mesmo período. Diante desse cenário, a entidade defende que qualquer mudança na jornada de trabalho seja acompanhada de medidas que visem à elevação da produtividade para mitigar os impactos sociais e econômicos.
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