REVOLUÇÃO NA MOBILIDADE
Carros chineses dominam 8% das corridas por aplicativo no Brasil, aponta Machine
A BYD já é a 6ª marca mais usada por motoristas no país, superando Toyota, Ford, Nissan e Honda, com custos de manutenção e combustível mais baixos impulsionando a adesão.
Uma pesquisa detalhada, divulgada nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, pela Machine, especializada em inteligência artificial para mobilidade urbana, revelou um dado transformador para o cenário dos transportes no Brasil: veículos de marcas chinesas já respondem por quase 8% das corridas por aplicativo no país em fevereiro de 2026. Este avanço, que redefine a frota dos aplicativos e impacta diretamente a vida de milhares de motoristas, é impulsionado principalmente pela BYD, que escalou posições de forma impressionante.
O estudo, que analisou aproximadamente 54 mil veículos e 7,4 milhões de corridas realizadas durante o mês, destaca como a presença chinesa se solidifica. A íntegra do relatório está disponível para consulta (PDF – 676 KB).
A BYD, em particular, emerge como um ator central, concentrando 7,12% das viagens analisadas. Com essa performance, a montadora chinesa alcançou a 6ª posição entre as marcas mais utilizadas por motoristas de aplicativo, superando fabricantes tradicionais e consolidadas no mercado brasileiro como Ford, Toyota, Nissan e Honda.
Os dados da Machine ressaltam uma trajetória de crescimento acelerado. Em um levantamento anterior, que abrangeu o período entre janeiro e setembro de 2025 e analisou 80 milhões de corridas, apenas 3,8% das viagens haviam sido realizadas com veículos de montadoras chinesas. Naquela ocasião, a BYD ocupava a 9ª posição, com 3,53% das corridas, atrás de Toyota e Renault. Em menos de um ano, a participação da fabricante praticamente dobrou, e a empresa galgou três posições no ranking, evidenciando uma rápida aceitação no mercado.
DEMANDA POR ELÉTRICOS E HÍBRIDOS IMPULSIONA CRESCIMENTO
O notável avanço das montadoras chinesas neste segmento espelha a expansão geral dessas marcas no mercado brasileiro. Empresas como BYD, GWM, CAOA Chery e Geely investem pesado, com a introdução de novos modelos, a abertura de concessionárias e planos ambiciosos de produção local. Um dos grandes diferenciais desses fabricantes reside no foco em veículos elétricos e híbridos, um nicho que tem conquistado motoristas de aplicativo pela promessa de custos reduzidos com combustível e manutenção.
A história da profissional de tecnologia da informação Tatiana Linck, de 50 anos, ilustra perfeitamente essa tendência. Após se mudar de um apartamento na Asa Sul, em Brasília, para uma casa em uma região mais afastada, Tatiana decidiu adquirir um automóvel em dezembro de 2025. A escolha recaiu sobre um Geely EX5, um SUV elétrico recém-lançado pela montadora chinesa Geely, visando justamente a economia e a sustentabilidade.
Para complementar a renda familiar e garantir o pagamento das prestações do veículo sem apertos, Tatiana passou a trabalhar como motorista de aplicativo nas horas vagas. Atualmente, ela dedica cerca de 5 horas por dia ao volante e relata uma receita média de R$150 diários com as corridas. Um dos maiores atrativos do carro elétrico é o baixo custo de abastecimento: Tatiana gasta entre R$60 e R$70 para carregar o veículo em eletropostos, o suficiente para uma autonomia de aproximadamente 400 km. O abastecimento é feito, em média, a cada dois dias.
Mesmo após quitar o automóvel, Tatiana expressa a intenção de continuar no trabalho como motorista. Atuando na modalidade Uber Mulher, exclusiva para passageiras, ela compartilha sua satisfação: "Eu acho muito agradável. Conheço muita gente interessante." Sua convicção no futuro elétrico é clara: ela não pretende retornar aos veículos movidos à combustão, afirmando que só trocaria seu carro por outro elétrico, reforçando o impacto positivo na sua dignidade e autonomia financeira.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário