ALERTA CÂNCER PÂNC...

Câncer de pâncreas representa desafio devido ao diagnóstico tardio e alta letalidade

Ilustração de IA mostrando as diferenças entre Neoplasias Mucinosas Papilares Intraductais e o câncer de pâncreas.
IA por Eduardo Viana de Carvalho ilustra diferenças entre IPMN e câncer de pâncreas.

Doença tem alta taxa de mortalidade no Brasil, mas avanços em imagem e terapia buscam reverter o quadro. Especialistas alertam para sintomas e fatores de risco.

Um alerta sobre a alta letalidade do câncer de pâncreas, um dos mais temidos pela sua natureza agressiva e diagnóstico frequentemente tardio, foi publicado nesta domingo, 24/05/2026. Apesar de sua incidência ser menor que a de tumores mais comuns, a doença figura entre as prioridades científicas pela dificuldade em seu tratamento. No Brasil, a estimativa de 10.980 novos casos anuais para o triênio 2023-2025 sublinha a urgência em aprimorar as estratégias de detecção precoce e combate. O perfil epidemiológico da doença tem apresentado mudanças, com pesquisas indicando um aumento na incidência e mortalidade entre indivíduos com menos de 49 anos nas próximas décadas. Essa análise, baseada no Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, abrange 204 países e territórios, reforçando a necessidade de atenção global. O pâncreas, glândula mista essencial para a digestão e regulação da glicose, esconde a gravidade de sua condição. Segundo Eduardo Viana de Carvalho, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Federal de Ipanema, no Rio de Janeiro, cerca de 80% dos casos diagnosticados já não permitem um tratamento cirúrgico curativo. "Só conseguimos tratar 20%, quando o câncer está restrito ao pâncreas", explica o especialista. Mesmo nos casos em que a cirurgia é viável, apenas 15% dos pacientes alcançam sobrevida superior a cinco anos. A complexidade reside na invasão de estruturas vasculares vitais, como a artéria mesentérica e a veia porta, tornando o tumor irressecável. A possibilidade de intervenção cirúrgica exige que esses vasos estejam livres ou passíveis de reconstrução. A falta de sintomas claros agrava o cenário. Tumores na cabeça do pâncreas podem manifestar icterícia, um sinal de alerta que exige atenção médica imediata. No entanto, lesões no corpo e na cauda costumam apresentar sintomas vagos como perda de apetite, emagrecimento, dor nas costas ou mal-estar digestivo, o que pode levar a um atraso crucial no diagnóstico. A maioria dos casos de câncer de pâncreas (90%) origina-se de uma lesão microscópica chamada PanIN (Neoplasia Intraepitelial Pancreática), invisível em exames de imagem convencionais. O diagnóstico preciso muitas vezes requer análise patológica de tecido, identificando alterações celulares microscópicas. Cistos pancreáticos, que representam 10% dos casos, nem sempre evoluem para câncer. Desde 2012, o Consenso Internacional de Fukuoka padroniza o manejo das Neoplasias Mucinosas Papilares Intraductais (IPMN), lesões visíveis em exames de imagem que podem ser monitoradas e removidas preventivamente. A classificação de risco para cistos pancreáticos considera o tamanho, a presença de componente sólido e a taxa de crescimento. Fatores de risco incluem uma pequena parcela genética (2 ou mais parentes de primeiro grau com a doença), tabagismo, alcoolismo crônico (que pode levar à pancreatite crônica, aumentando o risco em até 20 vezes) e obesidade. Dietas ricas em ultraprocessados também são apontadas como contribuintes. Os avanços cirúrgicos reduziram a mortalidade operatória para menos de 1% em centros de referência. Contudo, a inovação mais promissora reside na oncologia clínica, com o desenvolvimento de imunoterapias, terapias-alvo e vacinas terapêuticas, que abrem novas perspectivas para o tratamento da doença.

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