ALERTA DE SAÚDE

Câncer de colo do útero evolui sem sintomas, alerta especialista

Ginecologista Ana Katherine Gonçalves dando entrevista.
A ginecologista Ana Katherine Gonçalves em entrevista ao RN no Ar, da TV Tropical.

Ginecologista Ana Katherine Gonçalves explica que tipos mais perigosos do HPV, causador da doença, são assintomáticos e destaca a importância da vacinação gratuita contra o vírus.

O câncer de colo do útero representa uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres jovens no Brasil, estando intrinsecamente ligado à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). A preocupação foi destacada pela ginecologista Ana Katherine Gonçalves em entrevista ao RN no Ar, da TV Tropical, nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026. A doença incide predominantemente em mulheres em idade produtiva, gerando profundos impactos sociais e familiares. “O câncer de colo do útero é a principal causa de morte por câncer em mulheres jovens, deixando crianças órfãs, famílias enlutadas, tem um grande impacto emocional para as famílias que vivem esse luto”, afirmou a médica. Considerado atualmente uma infecção sexualmente transmissível, o câncer de colo do útero é causado pelo HPV. A boa notícia é que o vírus pode ser prevenido por meio da vacinação. “É uma infecção sexualmente transmissível causada pelo vírus do HPV. Esse vírus pode ser facilmente evitado mediante a vacinação”, explicou a especialista. Vacina disponível gratuitamente A imunização contra o HPV é oferecida sem custo para ambos os sexos, com o objetivo de reduzir a circulação do vírus e prevenir diversos tipos de câncer. A ginecologista ressalta que a vacina pode ser administrada a partir dos 9 anos de idade, mas alerta para a baixa adesão. “O nosso problema é porque realmente essas vacinas se estragam nas UPAs, nos postos de saúde, porque os pais não vão vacinar as crianças”, declarou, atribuindo parte dessa hesitação a informações incorretas. “Alguns pais acham que a vacinação pode estimular a sexualidade da criança. Na verdade, não é nada disso. A criança ou o futuro adulto precisa estar protegido quando for ter a primeira relação. Isso não é para estimular”, esclareceu. A especialista também tranquilizou quanto à segurança da vacina, assegurando que não há risco de infecção. “Um outro aspecto importante: não tem como se infectar com a vacina, porque a vacina não é feita de vírus. A vacina é feita de uma partícula semelhante a vírus, a VLP. Então, não tem como se contaminar com a vacinação”, disse. Transmissão e diagnóstico Embora a principal via de contágio do HPV seja a relação sexual, a transmissão pode ocorrer por contato direto. “O HPV é uma infecção sexualmente transmissível, mas pode acontecer por contato. Por exemplo, a gente tem casos de crianças, bebês, que pegam HPV porque a mãe tem HPV. Não é que houve violência ou abuso, mas que houve contaminação porque a própria mãe já tem e passa para a criança”, explicou. Quanto aos métodos de rastreamento, a médica mencionou que o tradicional exame Papanicolau permanece relevante, mas o Ministério da Saúde tem incentivado a adoção do teste de DNA do HPV. Este exame molecular, já utilizado em outros países e disponível na rede privada no Brasil, apresenta maior capacidade de detecção. Tipos perigosos sem sintomas Ana Katherine alertou que os tipos de HPV mais perigosos, associados ao desenvolvimento de câncer, geralmente não manifestam sintomas. “O câncer é assintomático. Não causa nenhuma lesão, não causa nenhum sintoma. A paciente nem corrimento tem, é totalmente assintomático e fica com câncer”, alertou. A prevenção, segundo a médica, é uma combinação de vacinação, diagnóstico precoce e uso de métodos de proteção, como o preservativo, cujo uso ainda enfrenta barreiras culturais.

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