PROTESTO POR REAJUSTE
Caminhoneiros do RN declaram greve e levam caixão a sindicato patronal
Profissionais buscam recomposição salarial e iniciam paralisação por tempo indeterminado. Decisão judicial determina manutenção mínima de 40% dos serviços de carga.
Mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Cargas do Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern), caminhoneiros levaram um caixão à sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do RN (Setcern), no bairro do Alecrim, em Natal. A ação, ocorrida nesta segunda-feira, 25/05/2026, e um ato na BR-101, em Parnamirim, marcam o início de uma greve por tempo indeterminado. O objetivo é pressionar a classe patronal por recomposição salarial, uma vez que as negociações se encontram em impasse.
Edson Negrão, presidente do Sintrocern, declarou que as ações e a greve prosseguirão até que haja disposição da classe patronal em dialogar. Representantes do Setcern não se manifestaram diretamente aos trabalhadores em frente ao sindicato, e a reportagem não obteve retorno até o momento da publicação. Em nota divulgada no Instagram no sábado (23), o Setcern afirmou estar "atento" ao movimento. Paralisações pontuais em apoio aos caminhoneiros do RN foram registradas no Ceará e na Paraíba.
A decisão de iniciar a greve se deu após uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), conduzida pela desembargadora Isaura Maria Barbalho Simonetti, vice-presidente do órgão. Na ocasião, o setor patronal propôs um reajuste salarial de 4,11%, enquanto a categoria reivindicava 16%. Após negociação, os caminhoneiros aceitaram reduzir a solicitação para 7%, com a possibilidade de discutir outras cláusulas posteriormente. Contudo, os representantes das empresas solicitaram cerca de 20 dias para analisar a nova proposta e consultar as transportadoras.
Diante da falta de acordo e do pedido de prazo prolongado, o Sintrocern programou o início da greve. O TRT-RN interveio, determinando a manutenção de, no mínimo, 40% dos serviços de transporte de cargas, classificados como atividade essencial. Itens como carga viva, insumos hospitalares, medicamentos e oxigênio terão trânsito livre, visando mitigar o desabastecimento e prejuízos à saúde e à agropecuária. A decisão judicial busca equilibrar as demandas em meio a um impasse que pode levar a uma greve de longa duração.
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