ÉTICA NO PARLAMENTO

Câmara investiga deputado por verba em empresa de sobrinhos

Deputado federal Wilson Santiago na tribuna da Câmara dos Deputados durante sessão
Imagem colorida mostra o deputado federal Wilson Santiago na tribuna da Câmara dos Deputados | Metrópoles

Deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB) reembolsado em R$ 203 mil por aluguel de SUVs de luxo. Empresa de seus sobrinhos é alvo da apuração.

Nesta quarta-feira, 06 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados tomou medidas concretas para zelar pela ética e transparência nos gastos públicos. A Casa Legislativa encaminhou um ofício ao gabinete do deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB), cobrando explicações detalhadas sobre o uso da cota parlamentar em uma empresa de seus sobrinhos. Em uma ação preventiva, o CNPJ da Construtora e Locadora JMX, ligada aos familiares do parlamentar, foi imediatamente bloqueado para novos reembolsos. Esta iniciativa da Câmara, que busca apurar potenciais conflitos de interesses e irregularidades, é crucial para reafirmar a dignidade da sociedade brasileira, garantindo que o dinheiro do contribuinte seja utilizado com responsabilidade e transparência.

A Câmara informou que o bloqueio do CNPJ permanecerá até a conclusão da apuração. Caso as irregularidades sejam confirmadas, os valores recebidos indevidamente pelo parlamentar serão restituídos integralmente, protegendo o erário. A decisão evidencia o compromisso da instituição em coibir práticas que possam desviar a finalidade dos recursos públicos e lesar a confiança popular.

A situação veio à tona por meio de uma reportagem prévia desta coluna, que revelou reembolsos da Câmara dos Deputados em favor do deputado federal Wilson Santiago por gastos com a Construtora e Locadora JMX. A empresa tem como sócios dois sobrinhos do parlamentar: Thiago e Thaísa Santiago, filhos de José Milton Santiago, irmão falecido de Wilson Santiago.

Registros da própria Câmara indicam que o deputado recebeu um reembolso de R$ 203 mil, referente a notas fiscais emitidas pela firma. Os documentos fiscais detalham que o parlamentar alugou da empresa, em períodos distintos, veículos de luxo: um Tiggo 7, da Caoa Chery, e um Jeep Commander – ambos SUVs.

Parte dos comprovantes de pagamento apresenta um recibo assinado por Thiago Santiago, também conhecido como Thiago de Azulão. Ele é vereador em Uiraúna (PB), eleito pelo mesmo partido, Republicanos.

Ministério Público pede providências ao TCU

Paralelamente, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) agiu e solicitou que a corte investigue minuciosamente os gastos do deputado federal Wilson Santiago. Em representação formal ao TCU, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado pede que, se as irregularidades forem comprovadas, o Tribunal determine o ressarcimento integral ao erário de todos os valores gastos com a contratação da empresa.

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado avaliou que a situação descrita sugere um “desvirtuamento da finalidade da cota parlamentar, com possível utilização da cota para beneficiar economicamente parentes do parlamentar, em relação de negócio jurídico que se mostra, em tese, contaminada por claro conflito de interesses e personalismo”. Essa análise sublinha a seriedade das acusações e a importância de uma resposta rápida e eficaz dos órgãos de controle.

Rocha Furtado reforça que os elementos expostos na reportagem configuram “fortes indícios de irregularidade e de ofensa aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e economicidade, o que justifica plenamente a atuação do Tribunal de Contas da União”. A violação desses princípios fundamentais impacta a integridade da administração pública e a fé dos cidadãos nas instituições.

Além do pedido de devolução dos valores, Rocha Furtado requereu a aplicação de multa proporcional ao dano e à gravidade da conduta. Ele também demandou a adoção de medidas preventivas e recomendatórias à Câmara dos Deputados, e que, havendo indícios de improbidade administrativa ou ilícitos penais, os autos sejam encaminhados ao Ministério Público Federal.

A equipe de reportagem procurou o deputado Wilson Santiago para que ele pudesse comentar o caso, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço permanece aberto para seu pronunciamento.

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