TRANSPARÊNCIA EM FOCO

Câmara dos Deputados endurece regras para sigilo em gastos públicos

Fachada da Câmara dos Deputados em Brasília.
Câmara dos Deputados aprova projeto que limita sigilo sobre gastos públicos.

Projeto aprovado por Gustavo Gayer limita sigilo sobre despesas de custeio e representação, como diárias e passagens. Texto segue para o Senado Federal.

A Câmara dos Deputados decidiu nesta quinta-feira, 22/05/2026, endurecer as regras para a imposição de sigilo sobre gastos públicos. A medida, motivada por críticas sobre a restrição de acesso a despesas ligadas a autoridades, altera a Lei de Acesso à Informação (LAI). O objetivo é garantir a divulgação obrigatória de despesas de custeio e representação, como diárias, hospedagem, alimentação, passagens e deslocamentos, incluindo compras realizadas com suprimento de fundos. A decisão é um marco para a transparência, pois impacta diretamente a dignidade da sociedade ao permitir o escrutínio sobre como os recursos públicos são utilizados, combatendo possíveis abusos e assegurando o direito do cidadão à informação.

O projeto, de autoria de Gustavo Gayer (PL-GO), surge em meio a questionamentos sobre o sigilo em viagens oficiais e a negativa de acesso a informações relativas à primeira-dama, Rosângela da Silva, sob a justificativa de proteção de dados pessoais. Durante o debate, parlamentares da oposição apontaram um aumento nas restrições de acesso a informações públicas por parte do governo. O relator, Sóstenes Cavalcante (PL-SP), reforçou que essa prática contraria os princípios do Estado Democrático de Direito e recordou as promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas durante a campanha de 2022, contra os chamados “sigilos de 100 anos”.

A nova legislação mantém a possibilidade de proteção de informações ligadas à segurança do presidente da República, do vice-presidente e de seus familiares, contudo, restringe essa salvaguarda a dados estritamente operacionais. Gastos públicos associados a viagens, alimentação, hospedagem e deslocamentos não poderão mais ser ocultados sob o pretexto de segurança institucional. Essa mudança visa impedir que brechas legais sejam utilizadas para esconder despesas que deveriam ser transparentes.

Adicionalmente, a proposta modifica a Lei de Improbidade Administrativa. Agentes públicos que utilizarem o sigilo de forma indevida para obter benefício pessoal ou acobertar irregularidades poderão ser responsabilizados. A conduta poderá ser caracterizada como ato de improbidade e crime de responsabilidade, reforçando a punição contra o mau uso do poder e a ocultação de fatos.

Outro ponto relevante é a previsão de desclassificação automática de informações. Caso a Comissão Mista de Reavaliação de Informações não analise pedidos de revisão no prazo de 120 dias, os dados serão tornados públicos. O projeto também confere ao Congresso Nacional o poder de rever classificações de sigilo e decisões da comissão mediante decreto legislativo, aprovado pela Câmara e pelo Senado. Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o texto seguirá para análise e votação no Senado Federal, onde poderá se tornar lei.

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