DECISÃO CRÍTICA
Câmara debate novo teto do MEI, pauta que preocupa governo Lula
Comissão especial da Câmara se reúne nesta quarta-feira (01/07/2026) para debater o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe um aumento significativo no limite de faturamento anual para Microempreendedores Individuais (MEI). A proposta, que já foi aprovada pelo Senado, gera apreensão na equipe econômica do governo Lula devido ao seu potencial impacto fiscal de R$ 50 bilhões.
Uma comissão especial da Câmara dos Deputados se reúne nesta quarta-feira, 01/07/2026, para dar início aos debates sobre o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021. A proposta visa alterar as regras de enquadramento como Microempreendedor Individual (MEI), um tema que tem gerado apreensão no governo do presidente Lula devido ao seu potencial impacto fiscal de R$ 50 bilhões anuais. A reunião marca a primeira sessão do colegiado desde que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a intenção de apensar a proposta a um texto similar enviado pelo Executivo.
O colegiado deve ouvir o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, para coletar subsídios técnicos e opiniões sobre a matéria. O Executivo encaminhou seu próprio texto na segunda-feira, 29/06/2026, como uma alternativa à proposta que já tramita na Casa. A equipe econômica manifesta preocupação com a possibilidade de que esta iniciativa, somada a outras medidas de alto impacto fiscal em discussão no Congresso — as chamadas “pautas-bomba” —, possa inflar um pacote de despesas que já ultrapassa os R$ 111 bilhões. Entre essas medidas estão o uso de recursos do pré-sal para abater dívidas rurais e a criação de aposentadoria especial para agentes de saúde.
Diferenças entre o projeto do governo e o texto em tramitação
O PLP 108/2021, de autoria do senador Jayme Campos (União-MT), foi aprovado pelo Senado em 2021 e agora aguarda análise na comissão especial da Câmara. Parlamentares e representantes do setor empresarial esperam que o texto seja aprovado no colegiado ainda em julho, embora o presidente da Câmara, Hugo Motta, não tenha firmado uma data específica.
O projeto que já tramita na Câmara propõe elevar o limite de faturamento anual do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 130 mil. Além disso, permitiria que o microempreendedor individual contrate até dois empregados, em vez de um, como estabelece a regra vigente.
O projeto do governo apresenta propostas semelhantes, mas com uma implementação gradual. Segundo o texto enviado pelo Executivo, o limite de faturamento anual subiria para R$ 110 mil em 2027 e alcançaria R$ 140 mil a partir de 2028. A proposta governamental também autoriza a contratação de até dois empregados.
A principal distinção reside no escopo da ampliação: enquanto o projeto do governo eleva o teto de faturamento apenas para os MEIs, o texto em tramitação na Câmara estende os limites para todo o Simples Nacional. Essa diferença explica o impacto fiscal bilionário da proposta já em curso, informação que tem sido enfatizada pelo Ministério da Fazenda para argumentar que o Orçamento público não comporta tal medida.
O deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC) é o relator do PLP 108/2021 na Câmara. Hugo Motta indicou a aliados que pretende manter Goetten como relator para os textos apensados, buscando unificar a análise das propostas.
A justificativa do governo para uma implementação escalonada
Nos bastidores, o governo reconhece a necessidade de atualizar os limites de faturamento tanto para o MEI quanto para o Simples Nacional. Contudo, defende que o aumento ocorra de forma escalonada, em etapas, para mitigar uma perda abrupta de arrecadação para a União, estados e municípios. A equipe econômica argumenta que um reajuste integral e imediato faria com que mais empresas permanecessem por tempo prolongado em regimes tributários com menor carga de impostos, atrasando a migração para modelos que geram maior receita.
O plano do governo inclui mecanismos para a atualização periódica dos limites, visando evitar a defasagem futura e a necessidade de correções drásticas e pontuais. A intenção é que a absorção dos novos limites pelos cofres públicos ocorra de maneira progressiva.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário